Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Marina propõe 'condicionantes ambientais' para empréstimos públicos

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu a exigência de "condicionantes ambientais" para concessão de empréstimos e investimentos públicos a setores da economia. Em entrevista ao programa Roda Viva na noite passada, a ex-ministra do Meio Ambiente afirmou não ser inimiga do agronegócio. (Leia Mais)

Terça, 15 de Junho de 2010 às 09:05, por: CdB

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu a exigência de "condicionantes ambientais" para concessão de empréstimos e investimentos públicos a setores da economia. Em entrevista ao programa Roda Viva na noite passada, a ex-ministra do Meio Ambiente afirmou não ser inimiga do agronegócio, e sim contra as empresas ecologicamente "insustentáveis que não querem se tornar sustentáveis".

O Brasil tem sua economia altamente dependente da produção agrícola; e a candidatura da ex-petista levanta interrogações sobre as condições de crescimento do setor se for escolhida presidente em outubro.

– O que podemos fazer é incentivar para que todos encontrem o caminho da sustentabilidade. Podemos até triplicar nossa capacidade de produção se utilizarmos práticas mais inteligentes e melhores tecnologias – afirmou.

Ela atacou a visão "complacente" do Estado com aqueles que "não fazem o dever de casa".

– O governo não pode ficar colocando recursos sem pedir nenhum tipo de contrapartida – adicionou.

Marina criticou as "escolhas" do atual governo e citou um exemplo de 2006, quando, segundo a presidenciável, o Executivo federal concedera empréstimos a frigoríficos "de seis a oito bilhões" (ela não esclareceu se em dólares ou reais) e, agora, tem dificuldade em dar aumento maior a aposentados.

Se eleita, a candidata sancionaria o aumento de 7,7 por cento para aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo, mas vetaria o chamado fator previdenciário, espécie de pedágio para evitar aposentadorias precoces. Ambos os dispositivos foram aprovados pelo Congresso. O governo, vencido, havia aceitado reajuste de 7 por cento.

Camada pré-sal

Marina afirmou que a exploração de petróleo na camada pré-sal é um "mal necessário" e que o recente vazamento de óleo no Golfo do México deve servir de alerta ao Brasil.

– Não temos como abrir mão dessa fonte de energia. Mas uma parte desses recursos deve ser destinado a novos conhecimentos para substituir essa fonte de energia – ponderou.

Ela disse, ainda, que gostaria que a discussão sobre a nova divisão de royalties, aprovada semana passada no Senado, tivesse ficado para depois das eleições. A emenda prevê repartição igualitária da riqueza gerada com a extração de petróleo entre todos os entes da federação, produtores ou não. A mudança implica queda na receita de Estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, já que mexe também com os contratos passados de exploração continental.

Entusiasta da chamada energia limpa, mas crítica da energia nuclear, questionou de novo a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

– Além dos problemas sociais e ambientais, acabou revelando outro problema, que é a própria viabilidade econômica do empreendimento – critica.

Sem fisiologismo

Marina reiterou ser possível fazer política sem fisiologismos e que governaria como "ponto de contato" entre PT e PSDB. Ex-ministra da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, mas adversária da candidata do governo, Dilma Rousseff, afirmou que a petista e o candidato tucano, José Serra, têm perfil gerencial.

– O Brasil não precisa de gerente, precisa de pensamento estratégico – alfinetou.

Sobre sua religião, evangélica, rebateu os críticos: "Não acho que ter fé no Brasil torne qualquer pessoa incompatível com a função de dirigir o governo."

– Não vou transformar púlpitos em palanques. Não vou satanizar as pessoas (que não seguem sua religião) – concluiu.

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