Candidata do PV à Presidência da República, a senadora Marina Silva tem feito cada vez mais elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora este apregoe o nome de sua ex-ministra-chefe da Casa Civil, a economista Dilma Rousseff, para substituí-lo a partir do ano que vem. Marina, no entanto, vai mudando aos poucos o tom agressivo com que começou a campanha, no início do ano, para um tom mais ameno ao governo que integrou como ministra do Meio Ambiente. Lula, ao longo dos meses em que passou sob o fogo da ex-ministra, no entanto, reafirmou sua admiração e carinho para com "a amiga e companheira".
A estratégia deu frutos, pois Marina, em recentes discursos, ao longo das últimas semanas, tem lembrado que "a chegada de um operário ao poder tirou 25 milhões de pessoas da pobreza e mostrou que é possível crescer com distribuição de renda".
– O presidente Lula não precisa de um opositor, mas de um sucessor que saiba reconhecer suas conquistas e fazer o país avançar mais – afirmou em outra ocasião.
"O povo brasileiro perdeu o medo de ver um Silva no Palácio do Planalto", acrescentou Marina em um artigo publicado na mídia.
A alteração nos rumos da campanha foi alvo de discussão junto à direção do PV, depois de analisar pesquisas que mostravam a senadora como uma das vozes de oposição ao governo Lula, fato que não se confirma, pela história da legenda e de sua candidata ao posto máximo da República.
Aliada do presidente ao longo de toda a sua vida pública, Marina voltou a apontar as linhas de convergência entre suas atuações ao longo dos anos. Ambos têm origem pobre, driblaram a fome e entraram na política ao lado dos movimentos sociais. A tentativa de aproximação com o eleitorado de Lula foi reforçada há uma semana, quando Marina disse que "as pessoas que votaram no Lula vão continuar votando num Silva, só que na Marina Silva".
– O pessoal está fazendo junções e criando nomes exóticos, como Pimentécio e Dilmasia. Eu nem preciso disso, porque já sou naturalmente Silva. Passaram anos assombrando que o Silva não dava certo, mas agora o pessoal perdeu o medo – disse a senadora aos jornalistas.