Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Marina diz que vai manter diálogo com todas as correntes para consolidar política ambientel

Quarta, 04 de Junho de 2008 às 17:16, por: CdB

Em seu primeiro discurso no plenário depois que reassumiu a cadeira no Senado, Marina Silva (PT-AC) comunicou que pretende manter o diálogo com todas as correntes político-partidárias para consolidar as políticas de gestão ambiental.

A ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que a sua saída do governo "não tem a pretensão de desconstituir”, mas a pretensão de contribuir na consolidação das conquistas que o setor vem obtendo ao longo dos anos.

Marina Silva revelou que quando negociava matérias polêmicas que aguardavam a aprovação do Congresso, avisava ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que conversaria com todos os partidos.

- Se simbolicamente posso citar um, liguei várias vezes para o presidente Fernando Henrique Cardoso para pedir ajuda para aprovar o que é maior do que nós - disse.

A senadora, que ainda tem três anos de mandato, ressaltou que nos últimos anos, especialmente no governo Lula, a questão ambiental deixou de ser um assunto periférico para entrar na agenda nacional.

Marina Silva no entanto deixou claro que não pretende abrir mão "de nenhum centímetro a mais" de ações adotadas pelo atual governo para melhorar as políticas de controle e fiscalização ambientais.

- Nós temos que discutir como é que vamos ter crédito, assistência técnica, novos padrões tecnológicos para produzir em menos área - defendeu.

Sobre a saída da pasta do Meio Ambiente, Marina Silva disse que no momento em que sentiu que "o acolhimento" não lhe dava mais as condições para permanecer no cargo, pediu a exoneração.

- Eu sempre tive uma compreensão. De que a causa é maior do que o cargo e que o cargo deve estar a serviço da causa, inclusive para ser disponibilizados se a sua disponibilização leva a um fortalecimento da causa - afirmou.

A senadora reconheceu o apoio que obteve do presidente Lula em momentos decisivos, como no ano passado quando o governo teve que tomar uma série de providências para conter o avanço do desmatamento.

- Um licenciamento que até 2003 era de 140 licenças por ano, com 45 hidrelétricas embargadas eu saio agora deixando um balanço em 2007 de 302 licenciamentos, inclusive os de alta complexidade, sem que nenhum esteja na Justiça - lembrou a senadora.

Mais uma vez, Marina Silva questionou a postura do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, um dos principais críticos das ações adotadas durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente. A senadora ressaltou que não cabia ao governador questionar as medidas adotadas pelo governo federal, em setembro do ano passado, entre elas a do Conselho Monetário Nacional (CMN) de proibir o crédito para quem desmata ilegalmente e o embargo das áreas desmatadas ilegalmente.

- O erro é combater o que está funcionando, combater o combate aos ilegais - afirmou, acrescentando que "não era para o governador Blairo Maggi questionar as medidas, era para continuarmos a trabalhar juntos, eu disse isso a ele".


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