Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Marina deixa o PT em busca de desafio sobre desenvolvimento sustentável

A senadora Marina Silva (AC), ex-ministra do Meio Ambiente durante seis anos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou nesta quarta-feira sua decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores (PT), partido pelo qual foi eleita 1994 e reeleita em 2002.

Quarta, 19 de Agosto de 2009 às 09:27, por: CdB

A senadora Marina Silva (AC), ex-ministra do Meio Ambiente durante seis anos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou nesta quarta-feira sua decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores (PT), partido pelo qual foi eleita 1994 e reeleita em 2002. Após se retirar do governo, ano passado, em meio a um desgaste com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por conta das licenças ambientais necessárias à construção de hidrelétricas no Norte do país, Marina disse aos jornalistas que se sente livre para mudar de partido. Na coletiva que convocou, nesta manhã, preferiu não confirmar se aceita ou não o convite do Partido Verde, nem se pretende ser candidata à Presidência da República, pela nova legenda.

Marina disse, aos jornalistas, que sofreu para tomar a decisão de deixar o PT e comparou a atitude ao fato de ter deixado a casa dos pais, há 35 anos, num seringal no interior do Acre, para seguir com a vida numa cidade grande.

– Não se trata mais de fazer embate dentro de um partido em que eu estava há cerca de 30 anos, mas o embate em favor do desenvolvimento sustentável – afirmou.

A ex-ministra garantiu que a discussão sobre o tema será prioridade no PV, caso ela resolva ingressar na legenda. O assunto foi tema de um encontro entre Marina Silva e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), semana passada. Ao deixar o encontro, Gabeira assinalou que Marina deverá priorizar a questão ambiental na campanha ao Palácio do Planalto, se decidir sair candidata.

– A questão ambiental teria peso na campanha, mas não seria monotemática. Há especialistas querendo contribuir com uma visão programática, diferente de um candidato monotemático – disse Gabeira aos jornalistas.

Caso resolva ser candidata, Marina já pode considerar a hipótese de o cantor e compositor Gilberto Gil ser candidato na chapa, como vice-presidente.

– Uai! Claro que existe possibilidade de dizer sim. Existe possibilidade de dizer não, existe possibilidade de tudo. Mas só quero dizer a ela, se ela me convidar. Ela quer conversar comigo. Quer falar sobre candidatura, sobre o partido, sobre o PV, a transferência dela para o PV, sobre ela ser candidata propriamente – disse o ex-ministro da Cultura, em recente evento, no Rio de Janeiro.

Intenções de voto

Aos jornalistas, durante a coletiva, Marina também disse que sua decisão sobre aceitar ou não a candidatura ao Planalto não será influenciada pelas pesquisas eleitorais. No primeiro levantamento que inclui o nome de Marina Silva, divulgado pelo Datafolha no fim de semana, ela aparece com 3% das intenções de voto.

– Se eu fosse me basear em pesquisas nunca teria sido candidata a nada. Quando começamos o PT lá no Acre nem era 3%, 2%, era traço (virtualmente zero) e veja agora como isso se desenvolveu – afirmou.

Segundo integrantes do PV, próximos da articulação para o ingresso de Marina Silva no partido, o lançamento da candidatura dela ao Planalto não deverá ser formalizado por enquanto, pois depende da montagem de um programa de desenvolvimento sustentável para o país. Marina mantém uma linha de diálogo com o Movimento Brasil Sustentável, integrado por empresários como Oded Grajew e acadêmicos das mais diversas áreas.

Marina também afirmou que a "questão da sustentabilidade ressignifica a política, porque o desafio é de tamanha ordem que vai precisar da participação de todo mundo: Empresários, trabalhadores, jovens, mulheres, crianças, formadores de opinião". Ela também critica a visão meramente preservacionista e apoia a "integração entre preservação e desafios de melhorar a qualidade de vida".

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