Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva entregou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o seu desligamento do cargo. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente, o pedido tem caráter irrevogável. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da pasta, a ministra está em casa e não pretende se pronunciar antes da resposta da Presidência da República. Lula, no entanto, já teria convidado o secretário estadual de Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc, para ocupar a pasta, segundo assessores do governador fluminense, Sérgio Cabral Filho.
Os conflitos de Marina com outros ministérios, como a Casa Civil, de Dilma Roussef, e a Agricultura, de Reinhold Stephanes, acirraram-se nos últimos dias, após a declaração da ambientalista. Ela propôs "uma nova narrativa" para o desenvolvimento e foi criticada internamente.
Em julho do ano passado, no entanto, os desentendimentos entre Marina e Dilma se acirraram devido às discordência quanto ao edital para as concessões das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). Lula pediu mais agilidade nas licenças ambientais e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) acabou concedendo a licença prévia para as hidrelétricas serem construídas, mas com regras muito rígidas a serem cumpridas.
A gota d'água, no entanto, ocorreu nesta segunda-feira, quando Marina afirmou que o estímulo ao crescimento da produção do país, o que inclui a área de biocombustíveis, “não pode neutralizar” os esforços feitos pela preservação ambiental, inclusive porque há dependência entre os fatores.
– Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro – comparou ao defender uma “nova narrativa” para o crescimento do país, baseada no desenvolvimento sustentável durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa.
Matéria atualizada às 19h18