Pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva elevou o tom das críticas ao adversário José Serra (PSDB) por suas acusações ao governo boliviano, que ele chamou de cúmplice do narcotráfico. Marina deixou implícito, em entrevista concedida ao sítio UOL, de propriedade do Grupo Folha de S. Paulo, na internet, que as críticas de Serra estavam contaminadas pelo preconceito político, por ser socialista, e étnico contra o presidente Evo Morales, indígena de origem aimara:
– Tenho dúvidas, se talvez o governo da Bolívia fosse outro que não do Evo, um índio, se isso seria dito com tanta naturalidade. É apenas uma dúvida.
Ela reforçou que as declarações do ex-governador de São Paulo foram equivocadas por causa da generalização. Segundo ela, a maior parte da população boliviana não tem vínculo com tráfico.
– É preciso que nós passemos mais a imagem de que queremos ajudar a Bolívia – acrescentou.
Ainda durante a entrevista, Marina comentou o corte de R$ 7,5 bilhões no Orçamento apresentado pelo governo. Segundo a pré-candidata do Partido Verde, este não substitui a necessidade de reduzir os gastos com custeio e tornar a máquina pública mais eficiente. Ela afirmou que o Estado brasileiro sofre de um "inchamento" para garantir "governabilidades artificiais e fisiológicas".
– Existe uma máquina gigante que precisa ser o tempo todo alimentada. Por que não olhar para ela e combinar eficiência e redução de gasto? É preciso fazer isso, de modo que não se subtraia recursos de onde não pode, como saúde e educação. A máquina é inchada sim. Por que a gente não pensa na profissionalização do Estado brasileiro? O Estado precisa ser aperfeiçoado – declarou.
Processo
Marina, tal qual seus adversários Dilma Rousseff (PT) e Serra, é alvo de ação movida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As inserções do PV veiculadas nos dias 1º, 2, 5 e 7 de abril estão no centro de uma representação do Ministério Público Eleitoral TSE. A ação pede a cassação da propaganda do PV no primeiro semestre de 2011 e a aplicação de multa de até R$ 25 mil ao partido e à pré-candidata Marina Silva por terem feito propaganda eleitoral antecipada.
O Ministério Público acredita que o programa defendeu interesses pessoais ao ressaltar as qualidades individuais de Marina Silva. A ação destaca um dos trechos que considera ilegal: "Ela (Marina) foi apontada por um dos principais jornais do mundo como uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta. E esta mulher ainda está apenas começando. Preste a atenção na Marina".