Traficante perigosa, condenada a 34 anos de prisão, Sonia Aparecida Rossi, de 47 anos, a Maria do Pó como ficou conhecida uma das principais distribuidoras de cocaína no país, conseguiu fugir da Penitenciária Feminina do Carandiru, em São Paulo, na tarde desta quinta-feira, mas a fuga somente foi divulgada pela polícia paulista na manhã desta sexta. Ela e uma outra presa, identificada apenas como Cleonice, por volta das 13h desta quinta-feira, teriam se misturado a detentas que trabalhavam na pintura de pavilhões, do lado de fora do presídio, e conseguido escapar, segundo a versão da Secretaria de Administração Penitenciária.
Presa em abril de 2000 e baleada na perna pela Polícia Federal, Sonia passou pela Casa de Custódia de Taubaté, presídio masculino do Vale do Paraíba que chegou a abrigar apenas seis detentas mulheres, todas consideradas de alta periculosidade. Sonia foi a primeira mulher a ser presa no local, justamente por causa das condições de segurança. Durante sua permanência no presídio, um grupo armado foi preso em Taubaté, acusado de tentativa de resgate de Maria do Pó. Ela foi transferida, por "bom comportamento", em 2002, para a penitenciária de Tremembé, onde ficou até a inauguração da Penitenciária Feminina do Carandiru, no dia 8 de dezembro.
Sonia Rossi também é acusada de participar do crime organizado na região de Campinas e no Vale do Paraíba e seria dona dos 340 quilos de cocaína que desapareceram do Instituto Médico Legal da cidade, em 1999. À CPI do Narcotráfico, ano passado, ela negou ter negociado com policiais para ser liberada, quando foi detida junto com o namorado com os 340 quilos de cocaína. Também em depoimento à CPI, Rogério Gonçalves, que trabalhava como motorista de Sonia, disse que uma de suas funções era a de entregar envelopes lacrados a policiais, "com os cumprimentos de Maria do Pó", para facilitar o a passagem da droga pelas barreiras nas estradas.