Rio de Janeiro, 20 de Março de 2026

Marcola faz greve de fome

Terça, 07 de Novembro de 2006 às 19:06, por: CdB

O detento Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da quadrilha que age a partir dos présídios do estado de São Paulo, confirmou nesta terça-feira à sua advogada que entrou em greve de fome às 17h de segunda, em protesto contra as condições carcerárias e em protesto contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Além de Marcola, 43 detentos que cumprem pena no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, a 589 km de São Paulo, entraram nesta terça-feira no segundo dia de greve, recusando o café da manhã, o almoço e o jantar.

Marcola foi atendido por meia hora pela advogada Ariane dos Anjos, que conversou mais 30 minutos com outro integrante da quadrilha, Luiz Henrique Fernandes, o LH, também preso no CRP. Os agentes desconfiam que Ariane tenha servido de pombo-correio na comunicação entre os dois detentos.

Na saída da prisão, Ariane disse aos agentes e jornalistas que foi proibida de sair com a carta de Marcola, na qual ele confirma que iniciou a greve contra as condições das celas do CRP, que estariam sem ventilação e com forte cheiro de tinta. Além disso, na carta, Marcola teria protestado contra o RDD, regime considerado inconstitucional por parte dos tribunais, mas que continua em uso pelo sistema penitenciário, o que o líder da quadrilha considera uma vingança do estado contra ele.

Marcola ainda diz na carta, segundo a advogada, que a sentença do RDD é injusta e muito demorada porque em todas as oportunidades foi absolvido das sindicâncias nas quais era acusado. Agentes disseram à imprensa que a carta foi apreendida porque, inicialmente, a advogada pediu um pedaço de papel para escrever uma procuração que Marcola estaria passando a ela, mas como depois constataram que se tratava de uma carta, ficou retida com a diretoria da prisão.

Dos 57 detentos que ocupavam nesta terça-feira as celas do CRP, 13 não aderiram ao movimento, entre eles Robson Lima Ferreira, o Marcolinha, e Orlando Mota Junior, o Macarrão, que fazem parte da cúpula da quadrilha.Os agentes suspeitam que os dois estejam se alimentando para servir de porta-vozes da quadrilha durante a greve. Outros líderes da cúpula presos no CRP, Júlio César Guedes, o Julinho Carambola, e Roberto Soriano, o Betinho Soriano, não se alimentaram.

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