Rio de Janeiro, 05 de Abril de 2026

Marcola desafia deputado em depoimento

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou à CPI do Tráfico de Armas que o governo de São Paulo negociou com a facção criminosa não apenas depois dos ataques do mês de maio, mas antes de se intensificar a onda de violência na capital paulista. (Leia Mais)

Segunda, 10 de Julho de 2006 às 06:45, por: CdB

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou à CPI do Tráfico de Armas que o governo de São Paulo negociou com a facção criminosa não apenas depois dos ataques do mês de maio, mas antes de se intensificar a onda de violência na capital paulista.

Na gravação do depoimento prestado em dia 8 de junho à CPI do Tráfico de Armas, na penitenciária de Presidente Bernardes (SP), Marcola ainda discute com o deputado e delegado federal Moroni Torgan (PFL-CE) e afirma que o parlamentar não tem "moral nenhuma" para "gritar na sua cara".

Marcola pediu para Torgan parar de gritar quando o parlamentar o acusou de aproveitar-se dos presos, obrigando-os a reincidir no crime para financiar o PCC.

- E o que é que os deputados fazem? Não roubam também? Roubam para c..., meu - declarou, para receber, em seguida, ameaça de indiciamento por desacato.

- Que moral tem algum deputado para vir gritar na minha cara? Nenhuma - respondeu Marcola, que não foi indiciado no fim da sessão, realizada sem a presença da imprensa.

No mesmo depoimento, o chefe do PCC garantiu que, mal haviam começado os atentados da facção criminosa, foi chamado para negociar com o diretor do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt, e outras autoridades policiais. O encontro, afirmou, ocorreu em 12 de maio - na época, havia apenas quatro policiais mortos e duas rebeliões em curso.

Segundo Marcola, na ocasião Bittencourt tentava buscar formas de conter os ataques e as rebeliões.

O líder do PCC garantiu que prometeu interceder pelo fim da violência caso as autoridades cumprissem alguns pedidos: comida, cobertores, direito a banho de sol e restabelecimento da visita do Dia das Mães para 765 presos recentemente transferidos para uma cadeia de Presidente Vesceslau, em São Paulo.

De acordo com Marcola, o diretor do Deic concordou com as exigências - porém teria ouvido do então secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, que não iria fazer concessões. Para Camacho, a transferência dos detentos ordenada por Furukawa foi interpretada pelo PCC como gesto "político" para "promover o (Geraldo) Alckmin (ex-governador de São Paulo e candidato do PSDB à Presidência da República.

Dois dias após a negociação e a suposta recusa de Furukawa, a cúpula da polícia paulista voltou a se reunir com Marcola em Presidente Bernardes - quando já havia 52 mortos em ataques do PCC e 57 cadeias estavam rebeladas.

Para conter a onda de atentados e rebeliões, foi solicitado ao líder da facção criminosa que ligasse, por meio do celular, para outros líderes do PCC, a fim de dizer que não sofrera agressões. Marcola teria se negado e indicado outro detento, conhecido como Luiz Henrique, para dar o telefonema. A ligação foi realizada, disse, porém sem revelar que foi o interlocutor de Luiz Henrique.

Tags:
Edições digital e impressa