Mais de 40 cidades, incluindo todas as capitais, marcham por liberdade em todo Brasil (veja as Fotos)
20/06/2011
Aline Scarso
De São Paulo
Na defesa pela liberdade de reunião e manifestação, a marcha da liberdade saiu às ruas pela segunda vez esse ano em São Paulo (SP), no último sábado (18), reunindo estudantes, artistas, militantes de partidos políticos, ativistas de todos os tipo e participantes de outras marchas – como da maconha, GLBT e das vadias.
Três mil pessoas, segundo organizadores, participaram da marcha. A manifestação se iniciou no Masp (Museu de Arte de São Paulo), e seguiu até à Consolação. De lá, os manifestantes retornaram pela Paulista até a praça Osvaldo Cruz (percorrendo ao todo 3,5 km).
Pelo menos 40 cidades brasileiras abrigaram as marchas da liberdade neste sábado, incluindo todas as capitais e o Distrito Federal. Com exceção a Belo Horizonte, em que a marcha foi reprimida pela polícia militar com uso de cassetetes e spray de pimenta em frente a prefeitura municipal, a marchas transcorreram de forma tranquila.
Segundo Gabriela Moncau, uma das organizadoras da marcha pela liberdade em São Paulo, três princípios gerais aglutinam os marchantes: a luta pelo direito a liberdade de organização e expressão, contra o conservadorismo que pauta o judiciário e o Estado e contra a violência policial em qualquer âmbito da sociedade, principalmente nas periferias.
Ampliando bases
André Takahashi, do movimento Organização Popular Aymberê e um dos organizadores da marcha São Paulo, avalia que apesar do sucesso da Marcha é preciso ampliar a base e contar com uma maior participação dos que mais são vítimas da falta de liberdade. “Atualmente os participantes da marcha são aquela esquerda jovem que está sempre nas ruas pelas mais diversas pautas e também um pessoal vindo do meio artístico alternativo. Além desses, que de certa forma são ligados a alguma organização, tem pessoas que foram atraídas pela possibilidade de lutar por algo novo, pessoas que não se dizem nem de esquerda nem de direita. Mas a marcha só terá futuro se se expandir para a periferia. A pior violência policial ocorre lá e [ocorre] todos os dias, não só nos dias de manifestação”, destaca Takahashi.
Para Takahashi, a aproximação dos movimentos populares com a Marcha poderia possibilitar a construção de uma onda de manifestações da periferia. “Quem sabe se a defesa da liberdade for incorporada pela periferia, manifestações como as que tem ocorrido na estrada do M'boi Mirim se tornem mais frequentes, organizadas e fortes. Se a violência policial é uma pauta recorrente, precisamos que as pessoas que sofrem essa violência estejam juntos”, defende.
Desde as greves estudantis que ocorreram em universidades por todo País, com ocupações de reitoria em 2007, esse é maior movimento da juventude brasileira. Com forte inspiração no movimento espanhol Democracia Real Já, e com o uso da internet, principalmente das redes sociais, a Marcha tem se tornado uma espécie de guarda-chuva amplo das mais diversas lutas.
Manifestantes dizem por que participam da marcha
Gero Camilo, 40 anos, ator. “Existem muitas bandeiras que fazem estar aqui hoje. Pela lei contra a homofobia, contra Belo Monte, pela legalização da maconha, contra os assassinatos que acontecem no campo nesse governo de pseudo-esquerda, contra a ditadura de instituições que querem moldar nossa forma de expressão”.
André Bof, 22 anos, estudante e militante da LER-QI (Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional). “Assim como os jovens na Espanha, na Grécia, e nos países árabes sobretudo, estão expressando um sentimento de oposição a esses trinta anos de neoliberalismo, no Brasil, apesar do conformismo, da passividade e da ideia que as coisas melhoram gradualmente, a juventude ainda busca o novo, busca uma mudança”.
Manuel Amaral, 42 anos, técnico em proteção do consumidor. “Eu defendo que as pessoas possam se manifestar e cuidar da própria vida. Ninguém pode impedi-las de se manifestarem livremente, seja do ponto de vista individual ou coletivo. Uma das formas de garantir esse direito é participando de todas as manifestações que cobram sua aplicação.”
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Bianca Cruz, 25 anos, cientista social e militante do Psol (Partido Socialismo e Liberdade): “Acho que chegou a hora de romper com o silêncio, principalmente pelo direito de protestar, mas também reivindicando outras lutas como a luta contra o preconceito, contra o veto ao kit anti-homofobia e contra o Código Florestal, que anistia os desmatadores”.