Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Marcha Silenciosa grita por Justiça e Dignidade!

Sexta, 13 de Maio de 2011 às 00:26, por: CdB

Por MÉXICO 09/05/2011 às 09:44

A Marcha pela Paz com Justica e Dignidade chegou ontem ao centro da Cidade do México, reunindo mais de 60 mil pessoas no Zócalo (praça central da cidade). O chamado da marcha foi feito inicialmente por uma organização chamada Rede Cidadã pela Paz e pela Justiça, formada por artistas, escritoras/es e membros de organizações autônomas. Um dos grandes protagonistas do chamado é o poeta e escritor Javier Sicilia, que teve seu filho assassinado em março desse ano por forças militares do Estado mexicano.

A marcha começou na quinta-feira (dia 05 de maio) saindo da cidade de Cuernavaca (estado de Morelos, a 80km da capital) e caminhando em silêncio até a capital, passando por dezenas de cidades mexicanas. Aderiram ao chamado sindicatos, movimentos sociais, estudantes e organizações de direitos humanos. As pessoas estão participando da marcha em apoio às/aos amigas/os e familiares das milhares de vítimas do Estado, que foram assassinados em nome de um programa federal de combate ao narcotráfico. O plano chamado "Guerra ao Narco" foi implantado há 4 anos pelo presidente Felipe Calderón e até agora provocou a morte de mais de 40 mil pessoas.

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As/os organizadoras/es da marcha calculam que, até agora, mais de 200 mil pessoas participaram da manifestação. O maior objetivo da marcha é exigir o fim imediato das políticas violentas de Calderón que estão militarizando os territórios mexicanos , deixando milhares de pessoas mortas e implantando uma cultura de medo generalizada. As/os manifestantes também denunciam a corrupção do Estado, cúmplice e responsável pelas ações violentas justificadas por um plano de combate ao tráfico de drogas. Exige-se justiça e punição aos assasinos e também se reinvindica maior dignidade aos povos mexicanos através de políticas que ampliem as oportunidades de atuação dos setores mais marginalizados do país. Para denunciar a situação de precariedade que se tem imposto aos povos mexicanos, as/os manifestantes relembraram também as 30 crianças que morreram em 2009 em um incendio na creche do estado de Sonora (Norte do México). A Marcha pela Paz com Justica e Dignidade se identifica como a "luta pela vida", em oposição aos massacres que o governo tem promovido através de suas políticas militares e também econômicas.

Integrando a marcha central rumo a Cidade do México, outras marchas aconteceram simultaneamente em dezenas de outras cidades e povoados mexicanos. Também foram realizadas manifestações de apoio internacional em muitos países pelo mundo. Em San Cristóbal de las Casas (no estado de Chiapas, México), o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e suas bases de apoio reuniram mais de 20 mil pessoas em solidariedade as demandas da marcha. Durante a manifestação zapatista em San Cristóbal, - que não se via tão grande desde a Outra Campanha de 2006 - o Comandante zapatista David pronunciou as seguintes palavras:

"Não estamos aqui para falar de nossas dores, nossas lutas, nossos sonhos, nossas vidas ou nossas mortes. Não estamos aqui para indicar caminhos, dizer por onde seguir. Nós viemos representando centenas de milhares de zapatistas para dizer, a esse passo digno e silencioso, que nós compreendemos e apoiamos sua demanda de justiça. Respondemos ao seu chamado, que é o chamdo daqueles que lutam pela vida, enquanto o Mal Governo responde com a morte."

A Marcha Nacional pela Paz com Justica e Dignidade reune as dores e tristezas individuais, avançando na construção da dignidade coletiva. Uma das propostas é que ao final da marcha as pessoas se encontrem na cidade de Juarez (norte do México) para formar um pacto nacional de transformação do país.

Segundo um dos participantes da marcha que integra um coletivo de luta contra a militarização, a mídia corporativista do México está enquadrando o movimento em termos de uma luta individual, como se toda a mobilização estivesse ocorrendo exclusivamente a partir da morte do filho do poeta Javier Sicilia, escondendo os discursos de oposição direta as políticas de Felipe Calderón. Até agora, nos maiores jornais e canais de televisão, pouco se falou sobre milhares de mortes provocadas pelo plano de suposto combate ao narcotráfico. Porém, é preciso ressaltar que, há bastante tempo, grupos e coletivos tem se mobilizado contra a militarização do solo mexicano. Como nos contou esse mesmo ativista, no final do ano passado, durante um ato contra os processos de militarização do governo na cidade de Juarez, a polícia interviu baleando um companheiro que participava da manifestação. Ações como essas têm sido bastante frequentes no México.

As poucas informações que encontramos nos sites de jornais brasileiros, levam as/os leitoras/es a entender que a Marcha Nacional pela Paz com Justica e Dignidade está sendo promovida em apoio ao presidente mexicano no seu combate ao narcotrafico.

Situação comum a vários países da America Latina, o combate ao tráfico de drogas está servindo como argumento para justificar uma violência desmedida do Estado, em que as vítimas de agressões, abusos de poder e morte são sempre os setores mais marginalizados da sociedade. O objetivo dessas "guerras ao narcotráfico" nunca foi ? nem é ? atingir as classes mais ricas, que estão por cima dos grandes carteis que verdadeiramente lucram com o comércio de drogas.

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