Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Marcha do Piauí chega para o Fórum de Combate à Corrupção

Terça, 07 de Junho de 2005 às 06:38, por: CdB

Cerca de 100 trabalhadores rurais, estudantes e sem teto do Estado do Piauí chegam nesta terça-feira a Brasília, para protestarem contra a corrupção. Apesar das dificuldades enfrentadas pelos manifestantes para percorrerem 368 Km até a capital federal, a saída ocorreu da cidade de Posse, no Estado de Goiás, em 23 de maio.

A chegada coincide com a abertura do Fórum Global Contra Corrupção e Pela Vida. O último trecho percorrido foi o de Sobradinho, de 30 Km, aonde chegaram na segunda, até a Praça dos Três Poderes.

Durante o Fórum, os integrantes da marcha vão apresentar um documento com propostas baseadas no poder local e na fiscalização cidadã para o combate à corrupção. A idéia deles é entregar ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, uma proposta de realização de uma ampla campanha para divulgar os meios de participação popular na apreciação de contas públicas. Os marchantes pretendem convencer a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a adotar o combate à corrupção como de uma edição da campanha da fraternidade.

Artimatéia Dantas, coordenador da Força Tarefa Popular, entidade que organiza a marcha, afirma que os marchantes já estão sem carro de apoio e sofrendo com a queda da temperatura. A condução de volta também não está garantida:

- Esta falta de local pra ficar e outras questões, se deu pelo fato de termos poucas pessoas na organização e principalmente devido ao fato de algumas tarefas não terem sido cumpridas e ficado para estes poucos construir a marcha. 

Ele explica, contudo, que todos os marchantes embarcaram conscientes da situação e do desafio:

- Esclarecemos que estávamos indo para uma guerra e que não iria falta sofrimento e provações.

Todos os integrantes da Marcha são do Piauí, estado mais pobre do Brasil, com o pior índice de desenvolvimento humano. Lá, a renda per capita da população é de R$ 1.660,00. No estado, cerca de 40% dos domicílios não têm água encanada e 60% não dispõem de rede de esgoto. Enquanto isso, um esquema de corrupção desviou R$ 14 milhões da Agespisa, a empresa pública responsável pelo fornecimento de água e serviço de esgoto.

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