Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Marcha de sem-terra é acompanhada por fazendeiros gaúchos

Segunda, 14 de Abril de 2003 às 15:21, por: CdB

O primeiro dia da marcha de centenas de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do acampamento de Faxina em direção ao centro de Santana do Livramento, município da fronteira do Brasil com o Uruguai, foi acompanhada de perto pelos fazendeiros da região nesta segunda-feira. Enquanto os sem-terra caminhavam, os ruralistas se deslocavam a bordo de automóveis. Conseguiram, com isso, ultrapassar o grupo de manifestantes diversas vezes para esperá-lo à entrada de cada fazenda da região em manobras que visaram evitar invasões. Vigiados por um destacamento da Brigada Militar, os dois grupos não entraram em conflito até o final da tarde. Mas a tensão deve permanecer durante a noite, uma vez que os sem-terra planejaram acampar à beira da estrada para retomar a caminhada de 35 quilômetros na próxima terça-feira. "O campo está preocupado e está perdendo um tempo que deveria ser destinado à produção", comenta o presidente do Sindicato Rural de Santana do Livramento, David Martins, referindo-se às constantes vigílias. "Isso é normal, eles (os fazendeiros), preferem fazer pressão a produzir", responde um dos coordenadores do MST no Rio Grande do Sul, Miguel Stédile. A caminhada de Livramento é uma das mobilizações da Marcha por um Brasil Sem Fome que o MST promete nesta semana para recordar o massacre de Eldorado dos Carajás.

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