"O genocídio não pode ficar esquecido”. É com essa afirmação que milhares de pessoas, entre militantes e familiares das vítimas do massacre do conflito armado da Guatemala, irão às ruas amanhã (30) para celebrar, não o dia do exército, mas sim, o Dia Nacional dos Heróis e Mártires guatemaltecos, com a Marcha da Memória.
Coordenada pela organização ‘Filhos e Filhas pela Identidade e Justiça, contra o esquecimento e o silêncio', H.I.J.O.S, por sua sigla em espanhol, a marcha iniciará às 8h da manhã saindo do Parque Morazán em direção ao Parque Central onde se celebrará o Festival da Memória e da tribuna anti-militarista.
"Convidamos você a celebrar a vida, a luta, a dignidade de nossos heróis e mártires”, chama a organização, que também pede que os/as participantes levem fotos dos familiares desaparecidos e bandeiras de luta.
A Hijos Guatemala ressalta que a data é uma forma de honrar a memória dos que morreram na luta para construir um país melhor e uma oportunidade para exigir o julgamento e a punição dos responsáveis pelo genocídio, ocorrido durante o conflito armado,finalizado há mais de dez anos, que deixou milhares de pessoas mortas, sobretudo, campesinos indígenas.
Marcelo Colussi, integrante da Hijos, esclareceu que a escolha do Dia do Exército para a realização da Marcha da Memória é uma forma de protestar contra a instituição responsável por tantas mortes e repressão na Guatemala. A manifestação em memória aos mártires é uma maneira de exigir o fim da impunidade que tem marcado a história do país.
"Nossa sociedade há séculos vem se edificando sobre a base da mais absoluta impunidade. O racismo que a cruza de lado a lado é uma patética demonstração disso”, ressaltou.
Colussi reforçou ainda que o racismo e o machismo que imperam no país não poderiam acontecer se não fossem beneficiados pela impunidade. E alertou que impunidade gera mais impunidade. Por esse motivo, o ativista chamou atenção para a importância de haver mobilizações para exigir a punição dos responsáveis pelos massacres.
Para o Partido Socialista Centro-americano (PSOCA), o genocídio beneficiou os chefes militares que teriam enriquecido à custa da morte das populações campesinas indígenas. Denunciando um novo processo de militarização no país, o PSOCA alertou para o fato de os governos burgueses estarem reabrindo bases militares e promovendo novamente a atuação repressiva do exército, apesar dos acordos de paz assinados em 1996, que determinavam a redução das bases militares e a restrição do papel do exército na sociedade.
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