Por JULIANNA GRANJEIA 27/05/2011 às 21:13
Organizadores da Marcha pela Liberdade de Expressão --proibida pela Justiça na noite desta sexta-feira-- afirmaram que a manifestação não será cancelada.
O palhaço Celso Reeks, um dos organizadores --representante dos artistas de rua--, afirmou que a manifestação marcada para às 14h de sábado (28) não é uma reedição da Marcha da Maconha, realizada no dia 21.
Mandado de segurança expedido pelo desembargador Paulo Antonio Rossi na noite de hoje diz que a nova manifestação seria a mesma que já foi proibida tendo os organizadores mudado, apenas, o nome.
"A reunião para a organização da manifestação teve cerca de 100 pessoas, nem 10% disso era da organização da Marcha da Maconha. Nós reunimos civis e entidades que já sofreram repressão para manifestar pela liberdade. Tinha representantes do Movimento Passe Livre, de músicos, de artistas, de GLBT [gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros], da Bicletada, de movimentos raciais, entre outros", afirmou Reeks, que diz não ser usuário de drogas.
Na reunião de quinta-feira (26), com organizadores, PM e CET (Companhia de Engenharia e Tráfego), a polícia afirmou que não poderia tolerar nenhum tipo de apologia a crimes. "Como a manifestação reúne também entidades pró-liberdade de escolha, ficou combinado que não faríamos menção, em nenhum momento, a aborto e drogas", afirmou o artista.
O cientista social Marco Magri, um dos organizadores da manifestação e da Marcha da Maconha, disse que recebeu a decisão judicial --que caracterizou como "ação grotesca"-- com surpresa.
"É um evento diferente, não tem menção à política de drogas. É um chamado para entidades e pessoas que tentam manifestar suas opiniões e são reprimidas pela polícia ou pela Justiça", afirmou.
Assim como na decisão judicial anterior, o horário da divulgação do mandado de segurança inviabiliza um recurso. Magri afirmou que não há como cancelar a manifestação.
"Estaremos presentes amanhã no vão livre do Masp porque essa decisão de última hora impede que possamos comunicar todos que já estavam programados para participar. O governador, durante a semana, já tinha manifestado apoio a nossa manifestação, nós já tinhamos acertado com a polícia a organização, o trânsito e estávamos cumprindo tudo o que é necessário."