Maranhão é comparado a Tiririca nas redes sociais: ‘Peguei vocês’
O recuo de Maranhão, confirmado pela assessoria de imprensa da Câmara, teve apenas quatro linhas, e chegou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na manhã desta terça-feira
O recuo de Maranhão, confirmado pela assessoria de imprensa da Câmara, teve apenas quatro linhas, e chegou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na manhã desta terça-feira
Por Redação - de Brasília e Rio de Janeiro
Ao revogar a sua própria decisão de anular a sessão da Câmara que marcou o início do golpe de Estado, em curso no país, com a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o deputado Waldir Maranhão (PP-AM), que ocupa a presidência interina da Casa, encerrará sua carreira na política como a personagem que transformou em palhaço, ainda que por um breve período, o eleitor brasileiro. Nas redes sociais, Maranhão é alvo de manifestações de repúdio e apoio mas, entre as mais divulgadas, estão aquelas que transformaram seu gesto em piada.
Maranhão se transformou em motivo de piada, na maioria das vezes, em redes sociais Clique para ampliar
O recuo, confirmado pela assessoria de imprensa da Câmara, teve apenas quatro linhas, e chegou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na manhã desta terça-feira. Horas antes, Maranhão havia informado a sua decisão a deputados do PP, o seu partido.
"Revogo a decisão por mim proferida em 9 de maio de 2016, por meio da qual foram anuladas as sessões do plenário da Câmara dos Deputados ocorridas nos dias 15, 16 e 17 de abril de 2016, nas quais se deliberou sobre denúncia por crime de responsabilidade número 1 de 2015", diz o texto de sua decisão.
Alguns líderes do movimento de resistência ao golpe foram à casa de Maranhão, no início da madrugada, na tentativa sem sucesso de demovê-lo da ideia. A forte reação na Câmara, cuja maioria dos partidos decidiu convocar uma sessão à sua revelia para revogar o ato, nesta terça e a ameaça de expulsão do seu partido, o PP, pesaram na decisão de voltar atrás. Maranhão temia ser expulso do PP e, por isso, perder o mandato.
Maranhão, o obscuro
Em um même, que circula nas redes sociais, o deputado Tiririca (PR-SP) se faz passar por Maranhão
Em sua página, em uma rede social, o governador do Maranhão, Flavio Dino, comentou a reviravolta sobre o processo de impeachment na Câmara. Dino declarou seu respeito ao presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão. Dino foi um dos líderes da resistência que influenciou a decisão inicial de Maranhão, de suspender a sessão na Câmara.
"Em face da decisão do Senado, o deputado Waldir Maranhão revogou sua decisão sobre o recurso da Advocacia Geral da União. Discordo, mas respeito”, disse o governador.
Em seguida, publicou: “O deputado Waldir Maranhão teve a coragem que poucos tiveram: votou NÃO ao golpe e tentou conter a marcha da insensatez. Tem o meu respeito. Muito difícil discordar e se manter firme diante dessa onda avassaladora e "consensual". Foi assim em 1964 e está sendo assim novamente. Orgulho-me de defender a Constituição, a Democracia e o Estado de Direito, princípios que estão muito acima de conjunturas difíceis”.
Este, no entanto, foi um dos raros momentos de apoio que o presidente da Câmara, em exercício, obteve junto ao público. Para o blogueiro Amadeu Generoso Machado, segundo escreveu na rede social Blogoosfero, “as lambanças cometidas pelos políticos em Brasília sob a regência golpista da Rede Globo, o símbolo maior do atraso travestido de modernidade tecnológica, mostram que o Brasil está refém de bandidos que sequestraram o país todo”.
“Waldir Maranhão, ao recuar de decisão própria, comprovou que quem manda no país é a Rede Globo e os interesses da família Marinho, a melhor representante da República de Bananas da Casagrande do BraZil. Se surpreendeu, pela manhã, ao tomar a decisão de anular a votação do impedimento ocorrida em 17 de abril, à noite, Maranhão se mostrou um capacho dos verdadeiros donos do poder. Bastou a Globo gritar "Deram um golpe no meu golpe, isso não é legal" para o presidente da Câmara dos Deputados voltar atrás em sua decisão”, criticou.
Machado continuou:
“Já o povo segue resignado. Sabe que vai se ferrar, mas em lugar de resistir ao golpe, pensa em como se acomodar à nova situação, dada como inevitável. Sim, o retrocesso se torna inevitável porque o povo não reage. Os movimentos sociais, sindical e, supostamente, populares, falam em nome de um povo que não os entende, apóia ou segue.
“O PT, que um dia foi símbolo de organização de base e mobilização popular, está entregue e parece até mesmo torcer para que o golpe seja dado rapidamente para se livrar do peso de governar um país como o Brasil. Outras agrupações de esquerda não se mostram capazes de ser uma alternativa ao novo Partidão, aliás, como em 1964, em relação ao Partidão na época.
“A militância democrática, mais cristã do que esquerdista, segue à espera de um milagre, de um messias, de um salvador da pátria. Os comentários publicados em redes sociais no dia 09 de maio de 2016 mostram isso claramente. Alguns até chegaram a elevar Maranhão ao posto de homem que havia salvo a Democracia no Brasil. Até uma capa de Forbes foi forjada, comprovando que o viralatismo está no DNA dos brasileiros. Temos mentalidade de colonizados e como tais nos comportamos.
“E o STF - Suposto Tribunal Federal? Um juiz mantém a anulação e outro assegura a votação. E todos se calam quando Renan diz que seguirá com a farsa do impedimento. Os acontecimentos dos últimos dias somente reforçam a distância que existe entre Brasília e o Brasil, exatamente do mesmo tamanho que aquela existente entre a Casa Grande e a Senzala, o Asfalto e o Morro, as Villas e as Favelas.
“Tudo isso poderia ter sido evitado, mas se preferiu acreditar nas palavras de um certo líder que teria dito ‘não precisamos de um jornal diário de tiragem nacional, pois já tínhamos a Globo’.
“Será que ele já se achava Casa Grande quando isso afirmou???”.
Em linha com a credulidade com que a atitude inicial de Maranhão foi recebida e, depois, a revolta daqueles que haviam acreditado na solução do impechment, após Maranhão voltar atrás na decisão tomada, pela manhã, o jornalista Breno Altman, editor da Revista Samuel, fez circular uma nota, em seu blog, com o título “Abaixo o fã-clube”:
“Depois da decisão de Renan Calheiros, mantendo o processo do impeachment, e a do presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, desfazendo à noite o que havia deliberado na hora do almoço, já não é hora dos militantes mais afoitos pararem de tratar personagens medíocres como heróis da democracia, estimulando ilusões sobre indivíduos que só têm compromissos com seus próprios e obscuros interesses?”.
Um pouco de humor
Nas primeiras horas da manhã, o humorista Bemvindo Sequeira não deixou passar a oportunidade para voltar ao assunto, com uma dose de bom humor:
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