Diego Maradona já havia recebido convidados importantes no seu novo programa de televisão desde o ex-rival Pelé até o astro pop britânico Robbie Williams. Mas nunca tinha entrevistado alguém de tanto peso quanto Fidel Castro.
Apesar dos esforços de Maradona para relaxar o ambiente, o presidente de Cuba manteve a seriedade, refletindo sobre o velho camarada Che Guevara e sobre a política do hemisfério.
Fidel aconselhou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a não participar da reunião de líderes das Américas esta semana para a qual Cuba não foi convidada.
- Seria melhor para ele encontrar um pretexto e não ir. Isso é um erro sério, a Alca já está morta e enterrada", disse Fidel, durante a entrevista de cinco horas, que foi parcialmente exibida na noite de segunda-feira.
A proposta dos EUA de criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) tem sido criticada por líderes esquerdistas da América Latina, que argumentam que ela poderia ser prejudicial às economias locais.
Maradona exortou os compatriotas a participarem com ele de uma manifestação contra Bush em Mar del Plata, na Argentina, onde o presidente norte-americano participará da cúpula, nos dias 4 e 5 de novembro.
Em tom de brincadeira, Fidel disse que Maradona pode se tornar alvo de tentativas de assassinato, como ele, se a lenda do futebol passar a ser considerado "subversivo".
O presidente cubano disse que Bush não deve subestimar a forte oposição dos argentinos ao governo dos EUA.
Maradona passou quase quatro anos em tratamento contra a dependência de cocaína em Cuba. Ele começou a nova carreira como apresentador de televisão em agosto.
No começo do programa de segunda-feira, Maradona apareceu vestindo um uniforme militar idêntido ao de Fidel, que afirmou ter sido um presente do presidente cubano.
- Tenho orgulho de verdade por ter isso, disse Maradona.