Decisão foi tomada após a criação de uma comissão pela defesa dos direitos do povo
10/06/2011
da Redação
A porta-voz mapuche Natividad Llanquileo confirmou, nesta quinta-feira (9), o fim da greve de fome iniciada em 15 de março na prisão de Angol pelos quatro mapuche presos em protesto contra a aplicação da Lei Antiterrorista na determinação de suas sentenças.
Depois de perder entre 20 e 25 quilos pelo prolongado jejum, os indígenas haviam sido transferidos na quarta-feira (8) do hospital de Victoria a diferentes centros assistenciais, decisão que segundo as autoridades penitenciárias da região de La Araucanía, sul do Chile, obedeceu somente a razões de caráter médico. Mas nesta quinta-feira os quatro presos retornaram ao hospital de Victoria e decidiram encerrar a greve.
“Tivemos uma conversa e eles decidiram terminar com esta greve de fome, criando-se uma comissão pela defesa dos direitos do povo mapuche”, disse a porta-voz Natividad Llanquileo à radio Cooperativa.
Os mapuches presos - Ramón Llanquileo, José Huenuche, Héctor Llaitul e Jonathan Hullical - decidiram pela proposta de criação da comissão na qual participarão o arcebispo de Concepción, Fernando Chomali e a diretora do Instituto de Direitos Humanos, Lorena Fries.
Como representantes dos indígenas, participarão Millaray Garrido, esposa de José Huenuche, Pamela Pezoa, esposa de Héctor Llaitul e Natividad Llanquileo, irmã de Ramón Llanquileo.
O grupo, conhecido como a “cúpula” da Coordenação Arauco Malleco, os quatro indígenas foram condenados a penas entre 20 e 25 anos de prisão pelo ataque ao promotor Mario Elgueta e três policiais em outubro de 2008.
A Corte Suprema rechaçou na sexta-feira (03) os recursos para anular o julgamento que os condenou, mas reduziu as penas correspondentes ao ataque contra o promotor. De acordo com a determinação da Corte, Llaitul deverá passar 14 anos na prisão em lugar dos 25 e os outros indígenas um total de oito anos em vez de 20, como havia sido determinado anteriormente.
Pamela Pezoa, esposa de Héctor Llaitul, disse à rádio Bío Bío que à margem da decisão do tribunal, a continuidade da greve de fome havia sido decidida porque o objetivo era a não aplicação da Lei Antiterrorista contra o povo mapuche e “não obter um indulto, nem um benefício carcerário para os quatro indígenas, mas para permitir a continuidade de sua luta”.
Segundo Pezoa, “para continuar lutando por todos os direitos do povo mapuche se decidiu pela formação desta comissão com “a maior instância a nível internacional, que é o Alto Comissionado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, com a instância chilena mais importante, que é o Instituto Nacional dos Direitos Humanos, com sua diretora Lorena Fries, e também a Igreja Católica, a Conferência Episcopal e a Pastoral Mapuche”. (com Observatorio Ciudadano)