Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

Mapuches condenados completam um mês em greve de fome

Sexta, 15 de Abril de 2011 às 09:36, por: CdB

Os quatro indígenas condenados a 25 anos de prisão sob a lei Antiterrorista pedem um julgamento justo

 



15/04/2011

 



Telesur




Os quatro indígenas condenados a 25 anos de prisão sob a lei Antiterrorista (Héctor Llaitul, Ramón Llanquileo, José Huenuche e Jonathan Huillical) completam nesta sexta-feira (15) um mês de greve de fome para pedir um julgamento justo.

Os mapuche se encontram em um estado de saúde delicado por causa da perda de peso e por sequelas de um jejum anterior realizado em 2010 junto a outros 34 militantes, em rechaço à lei.

Héctor Llaitul, Ramón Llanquileo, José Huenuche e Jonathan Huillical perderam cerca de 12 quilos.

Os indígenas foram julgados no Tribunal de Cañete (635 quilômetros ao sul de Santiago) pelos delitos "de roubo com intimidação e homicídio frustrado e lesões".

No julgamento, eles foram considerados culpados de um suposto atentado a um fiscal chileno em 2008 a partir de um depoimento questionável de uma testemunha não identificada.

Depois de identificar a falha, os mapuche decidiram no dia 15 de março retomar a greve de fome em rechaço à aplicação da lei Antiterrorista, que já haviam protagonizado em 2010 por mais de 80 dias.

A Comissão Chilena de Direitos Humanos (Cchdh), no final de março, considerou as penas de cárcere impostas contra os quatro mapuches como uma condenação política.

O presidente da Cchdh, Gonzalo Taborga, denunciou que além das acusações que pesam sobre os indígenas, a condenação se dá para silenciar "os melhores representantes políticos do povo mapuche em sua demanda histórica pela devolução de suas terras".

Contra eles "se aplicou uma lei Antiterrorista, cuja própria natureza é antidemocrática, no sentido de que foi gerada sob a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990), precisamente para castigar todos os dissidentes do sistema", sustentou.

Há anos os indígenas mapuche têm realizado mobilizações pela recuperação de seus espaços territoriais, que reivindicam como próprios frente à ocupação dessas áreas por empresas florestais e proprietáiros particulares.

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