A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de manter em 11,25% a taxa básica de juros (Selic) é um fator de frustração para a economia brasileira. A afirmação é do professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli. Com a decisão, tomada nesta quarta-feira, o Copom interrompeu uma trajetória de queda iniciada em setembro de 2005.
Para o professor, todos os fatores que poderiam pressionar a inflação, fator que leva o comitê a não reduzir a taxa de juros, estão sob controle.
- Apesar de ter havido nos últimos meses algum aumento [dos preços] no grupo alimentação, isso já ocorreu de forma mais intensa. As perspectivas de aumento recuaram - disse, em entrevista a jornalistas.
Para Piscitelli, a decisão é resultado de excesso de rigor do Banco Central já que, pelas estimativas, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar abaixo do centro da meta para este ano, que é de 4,5%.
- Às vezes, algumas autoridades agem de forma tão rigorosa que mesmo o centro da meta parece insuficiente - afirmou.
O professor citou outros fatores que poderiam justificar redução na taxa básica de juros, como a valorização do real, o que contribui para manter a estabilidade dos preços.
- É verdade que a gente tem uma demanda doméstica que se aqueceu. Aumentou nível de emprego, de renda, há mais crédito, há mais formalização da mão-de-obra, mas há uma contrapartida de aumento da oferta - acrescentou.
Na avaliação de Piscitelli, não há fatores que venham “causar a curto prazo um colapso no abastecimento”.
- Há um outro setor que está em um nível de utilização da capacidade instalada muito elevada, mas na realidade está-se investindo muito mais do que em anos anteriores - afirmou.
O professor acrescentou que uma “eventual escassez de produtos” gerada pelo aquecimento no mercado interno pode ser enfrentada com a importação. Piscitelli disse ainda que, segundo estimativas de especialistas, a taxa real de juros (descontada a inflação) está muito elevada no Brasil. Atualmente essa taxa está em torno de 7%, segundo ele, 3,5 vezes acima da média das taxas de juros reais no mundo.