Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Manuel Gouveia escreve: Desculpe, disse "Reforma ou Revolução"?

Por Manuel Gouveia - Sabemos nós – de há muito – que não há reforma no capitalismo que resolva o que só a revolução socialista pode resolver, nem há revolução socialista sem uma longa luta contra a exploração e por reformas.

Domingo, 22 de Dezembro de 2013 às 07:39, por: CdB

Sabemos nós – de há muito – que não há reforma no capitalismo que resolva o que só a revolução socialista pode resolver, nem há revolução socialista sem uma longa luta contra a exploração e por reformas.  

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O PC português tem levado adiante o questionamento em relação às reformas de base no país
A atualidade deste tema nos é trazida por quem nos tenta enfiar em esquemas paralisantes da ação revolucionária, e nos apresenta a idiota alternativa: ou lutas por reformas, e é um reformista, ou lutas pela revolução, e é um revolucionário. Estes catedráticos da revolução revelam a sua suprema ignorância ao verem reforma e revolução como uma dicotomia, incapazes de perceber a dialética concreta do processo concreto. É verdade que lutar por reformas – que pode ser muita coisa, um hospital público, a nacionalização de um setor estratégico, o aumento do salário, a alteração da organização do tempo de trabalho, etc. – não altera a classe que detém o poder, não se dirige a "resolver" as contradições estruturais da sociedade capitalista, não elimina apenas mitiga a exploração. Mas é na resistência à exploração e na luta por reformas que a classe se une e toma consciência de si própria – e da sua força, e do seu projeto – e não por frases grandiloquentes. O papel dos revolucionários é dar sentido à luta concreta, é "ser no movimento presente o futuro do movimento", é não se submeter à realidade mas também não se alhear dela, antes mergulhar na luta, unir, organizar, dar perspectiva, dar confiança. E fazê-lo sem alimentar, antes combatendo, quaisquer ilusões sobre a possibilidade (essa sim utópica!) de um sistema capitalista reformado, humanizado, civilizado. Tudo o que fazemos prepara o dia em que os trabalhadores tomarão o poder da burguesia. E esse tudo é a ação diária, consequente, revolucionária e coletiva na sociedade onde vivemos e lutamos, razão pela qual nos organizamos em Partido. No reformismo do velho Bernstein a luta por reformas (o movimento) é tudo e o objetivo final é nada. Para os revolucionários, o objetivo final está sempre presente, mas não é tudo, e principalmente, não nos cega, ilumina-nos! Manuel Gouveia é militante do Partido Comunista Português e colaborador do jornal Avante!

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