Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Manual do governo instrui relacionamento com imprensa

Sábado, 05 de Julho de 2003 às 13:43, por: CdB

Há um mês está em funcionamento o Serviço de Pronta Resposta (SPR), criado por orientação da Secretaria de Comunicação de Governo, que visa a não deixar sem resposta imediata nenhuma notícia que o governo considere errada. Desde que o SPR foi criado, as redações dos jornais são "entupidas" de cartas. E há funcionário do governo se queixando de que não faz outra coisa na vida a não ser contestar notícias. De acordo com o texto de seis páginas de um manual que ensina tudo para a pronta resposta, o governo não deve brigar com os jornais, mas também não deve deixar mentiras sem respostas. Todos os funcionários do governo que trabalham nas Assessorias de comunicação receberam o texto com as orientações de como devem se comportar "para corrigir os erros da imprensa". O manual foi criado pelo jornalista Bernardo Kucinski, assessor especial do ministro de Comunicação, Luiz Gushiken, e passou por vários aperfeiçoamentos. - Esse modelo surgiu ainda quando o presidente Lula era oposição e o PT era um partido pequeno. As notas nos jornais eram muito agressivas - disse Kucinski à reportagem. Segundo ele, desde que o manual foi criado as crises nos ministérios foram reduzidas. O manual procura ser didático. Diz que as cartas de governantes aos jornais devem ter como objetivo corrigir um erro de informação ou responder a uma crítica ou infâmia. Já o patrulhamento ideológico ou a tentativa de interferência numa opinião jamais devem ocorrer. Reza ainda o manual que o jornalista tem direito ao erro não-intencional. - Tivemos esse cuidado, porque podemos atrapalhar para sempre a vida de um jornalista. E não queremos isso. Não queremos tirar a ousadia de ninguém - disse Kucinski.

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