Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Mantega vê o Brasil preparado para enfrentar nova fase na crise do capitalismo

Quarta, 26 de Junho de 2013 às 09:10, por: CdB
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega
O Brasil está preparado para enfrentar as reviravoltas na crise do capitalismo internacional diante das turbulências previstas pela redução dos estímulos monetários dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem não haverá falta de liquidez na economia global. Mantega, que participou de audiência pública conjunta de comissões na Câmara dos Deputados, destacou que essa nova situação na maior economia do mundo causa turbulências, mas que o Brasil está bem posicionado, entre outros motivos pelo mercado interno forte e por reservas internacionais elevadas. – Essa situação causa turbulência, que continua mas deverá diminuir em algum momento e vai se acomodar em outra posição. Isso não significa que vai haver uma diminuição da liquidez internacional – afirmou Mantega. Na semana passada, o Federal Reserve, banco central norte-americano, deu sinais de que pode reduzir seu programa de compra de ativos ainda este ano diante de sinais de melhora da atividade econômica. O ministro da Fazenda ressaltou que a estratégia de desenvolvimento aplicada pelo Brasil, dos últimos dez anos, gerou as condições para o enfrentamento de uma crise prolongada. Os pontos fortes dessa estratégia, de acordo com o ministro, foram o crescimento mais vigoroso do PIB, que chegou a 3,6% ao ano, entre 2003 e 2012. Outro dado importante, conforme acrescentou, foi o crescimento dos investimentos, que alcançaram 6,1% ao ano, entre 2003 e 2012 – Preparamos uma estratégia pra enfrentar a situação, com crescimento. E se não fosse a crise (na economia global), a nossa média de crescimento seria maior que 3,6% – disse. Mantega reconheceu que essas sinalizações criaram grande fluxo de capitais para os Estados Unidos, afetando o câmbio e causando desvalorização principalmente das moedas de emergentes. No Brasil, o dólar chegou a R$ 2,25. Segundo o ministro, o crescimento dos investimentos está acima do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país. Segundo ele, há ainda o mercado interno forte, ao contrário de outros países que vivem a crise. Lembrou que a dívida pública vem se comportando, até o presente momento, em uma trajetória de queda. Para enfrentar essas turbulências, o ministro disse que o Brasil tem bons fundamentos, como o controle da inflação que, neste ano, terminará dentro da meta (medida pelo IPCA), de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais. – Consolidamos a solidez fiscal e financeira, com a inflação sob controle. Mas vivemos no rastro da crise da economia mundial – avaliou Mantega. Mantega também reafirmou que o Brasil cumprirá as metas fiscais estabelecidas e que terá superávit primário de pelo menos 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, o que será garantido por reduções de despesas de custeio. Para ele, o déficit nominal está em trajetória de queda e que nós próximos anos o Brasil poderá ter déficit nominal zero. – Continuaremos permanentemente fazendo ajustes e faremos reduções de despesa de custeio para garantir meta fiscal de pelo menos 2,3% – afirmou o ministro. China mais devagar Na análise de Guido Mantega, embora a economia dos Estados Unidos tenha dado sinais de recuperação, a Europa continua com problemas. O crescimento econômico dos países emergentes também se desacelerou. Outro fator importante, lembrou, é a China, que está apresentado crescimento menor do que vinha apresentando. – A previsão é que a China continue se desacelerando. Portanto, essa queda da economia chinesa e de outras cria um contexto de economia fraca, com crescimento fraco e incapaz de atender às necessidades. Isso significa que os países exportadores, como o Brasil, estão disputando os mercados disponíveis, acirrando a competição internacional – disse. O ministro observou que as recentes declarações do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, indicam redução dos estímulos monetários que vinha concedendo: – O FED, que vinha colocando trilhões de dólares, sinalizou mudanças na postura: em função disso, os títulos americanos passaram a ficar mais valorizados, levando os recurso de volta para a economia americana (que ficou mais atrativa). Com a mudança, informou Mantega, e os juros sinalizando melhora nos EUA, gerou-se a saída de capitais do mundo para a economia norte-americana. – Isso afeta o câmbio. Temos uma valorização do dólar e queda da moedas dos outros países. Isso afeta também as bolsas, que têm caído nas últimas semanas. Essa situação causa a turbulência que continua nos dias de hoje – pontuou. Mesmo diante deste quadro, Mantega citou – como contraponto - as previsões otimistas da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. De acordo com o ministro da Fazenda, a entidade divulgou pesquisa indicando que investidores dos Estados Unidos estão interessados em investir fortemente no Brasil nos próximos anos.
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