O ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que o Brasil se manterá na rota de crescimento sustentado, apesar do agravamento da crise financeira internacional e da forte queda da Bovespa nesta segunda-feira.
– Não devemos nos impressionar com um ou dois dias (de queda na bolsa). E o problema é lá, não aqui – disse Mantega a jornalistas, após palestra em São Paulo.
Segundo o ministro, "é natural que o mercado de renda variável reflita esse nervosismo internacional". Ele insistiu, no entanto, que em algum momento os investidores perceberão que alguns ativos brasileiros estão baratos e retomarão as compras, o que recolocará a Bovespa em patamares mais elevados.
Mantega também comentou que a forte desvalorização do real frente ao dólar não deve trazer consequências para a inflação uma vez que a queda acentuada dos preços das commodities tem neutralizado a valorização da moeda norte-americana.
Mantega também disse que não há medidas adicionais sendo pensadas pelo governo para serem implementadas de imediato.
– Do ponto de vista da inflação, a questão está equacionada. No momento, não há nenhuma medida no forno, o Copom acabou de aumentar em 0,75 (ponto percentual a Selic). Já está de bom tamanho – afirmou.
Durante palestra promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ministro reafirmou que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre foi muito favorável e indica que o Brasil crescerá em 2008 entre 5% e 5,5%.
A crise financeira nos mercados internacionais deve levar uma pequena desaceleração no ritmo de atividade da economia do país, mas ainda assim Mantega acredita que o PIB de 2009 poderá crescer 4,5%.
– Eu ouso dizer que o Brasil continuará num ciclo de crescimento sustentável... O governo está apostando na continuação do ciclo de crescimento – disse.
Mantega também afirmou que a inflação em 2008 ficará dentro da margem da meta, e que as reservas internacionais e a solidez política do país dão um novo patamar de resistência para enfrentar a crise nos Estados Unidos.
– O Brasil já estaria de quatro em outra situação, estaria de joelhos... Aquela correria que havia no passado não há mais – concluiu.