Rio de Janeiro, 20 de Outubro de 2026

Mantega vê crescimento global menor e mais guerra cambial

A incapacidade mostrada pelos governos europeus e norte-americano para contornar seus problemas econômicos e financeiros fará com que essas regiões tenham fraco crescimento nos próximos dois anos, contaminando a atividade global e aumentando ainda mais a guerra cambial pela disputa de mercados, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Terça, 23 de Agosto de 2011 às 10:55, por: CdB

A incapacidade mostrada pelos governos europeus e norte-americano para contornar seus problemas econômicos e financeiros fará com que essas regiões tenham fraco crescimento nos próximos dois anos, contaminando a atividade global e aumentando ainda mais a guerra cambial pela disputa de mercados, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. - Os Estados Unidos não têm a recuperação que esperávamos; na Europa a coisa está ainda pior por causa da crise aguda da dívida - disse o ministro durante evento em São Paulo, na segunda-feira à noite. "O resultado é que nos próximos dois anos esses países vão crescer num ritmo lento, pífio, isso se não entrarem em recessão." Mantega voltou a criticar os governos de países desenvolvidos, acusando-os de falta de ousadia para lidar com a crise de confiança dos investidores e de usar apenas o aforuxamento da política monetária para tentar ativar a economia, quando o principal remédio deveria ser a política fiscal. Segundo ele, o baixo crescimento dessas regiões deve contaminar a economia global, que tende a crescer menos. O ministro diz aguardar uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), no mês que vem, quando a entidade pode reduzir a projeção de crescimento global de 2011, hoje de 4,3%. Nesse cenário, disse Mantega, a disputa pelos mercados internacionais vai se intensificar, com países forçando a desvalorização de suas moedas para ganhar competitividade nas exportações. - A guerra cambial tende a recrudescer", afirmou, repetindo a expressão que cunhada por ele mesmo em 2010. Ëstamos partindo para a concorrência predatória". Apesar deste quadro negativo, Mantega avaliou que o Brasil está bem preparado para enfrentar uma eventual intensificação da crise. Como exemplo, ele citou as reservas internacionais de cerca de US$350 bilhões, o mercado interno forte e o sistema financeiro sólido. Por enquanto, disse, a posição do governo é a de manter a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 4,5% para este ano e em 5% para 2012. Mas alertou que mesmo as economias emergentes, hoje mais dinâmcas, não estão isentas dos efeitos de uma piora global. De todo modo, Mantega afirmou que o governo está preparado para usar instrumentos para incentivar a economia, caso seja necessário. - Temos muita bala na agulha para enfrentar uma eventual piora da crise - disse ele. Mantega agregou que o governo está contendo seus gastos de custeio para permitir que mais recursos fluam para investimentos e uma possível desoneração tributária. Segundo ele, isso permitirá que o Brasil mantenha crescimento econômico sem pressões inflacionárias. O ministro assegurou que a meta de inflação deste ano será alcançada. A previsão de Mantega que é a alta mensal média do IPCA seja de 0,3% a 0,4% nos próximos meses. A meta de inflação para o ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais.
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