Mantega reconhece que demanda segue forte e se gasta como nunca no exterior
Ministro da Fazenda, Guido Mantega disse, nesta terça-feira, que o país mantém uma demanda forte mas o governo já colocou a economia em um patamar menor, com crescimento em torno de 4,5%. Ainda assim, os gastos dos brasileiros nas viagens internacionais superam qualquer expectativa.
Ministro da Fazenda, Guido Mantega disse, nesta terça-feira, que o país mantém uma demanda forte mas o governo já colocou a economia em um patamar menor, com crescimento em torno de 4,5%. Ainda assim, os gastos dos brasileiros nas viagens internacionais superam qualquer expectativa.
– Mesmo que nós desaceleramos um pouco, nós ainda temos uma demanda muito forte que estimula a economia brasileira... Portanto, nós temos assegurada uma demanda forte e continuaremos garantindo essa demanda para manter a economia ativada – disse ele durante apresentação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), em Brasília.
Mantega também reiterou que a inflação está sob controle e afirmou que o combate à alta dos preços não chegou a derrubar o desempenho da economia. Segundo o ministro, o país vai cumprir o limite da meta de inflação deste ano, de 6,5%.
Mantega destacou que um dos motores da solidez econômica brasileira é o forte mercado consumidor.
– Mesmo que nós desaceleremos um pouco, nós ainda temos uma demanda muito forte que estimula a economia brasileira... Portanto, nós temos assegurada uma demanda forte e continuaremos garantindo essa demanda para manter a economia ativada – afirmou.
O ministro reiterou que a inflação está controlada, o que, segundo ele, deve-se ao fato de o governo não ter economizado esforços para combatê-la.
– Esse problema está controlado. As commodities deixaram de crescer há alguns meses... portanto, deixaram de pressionar a inflação. O governo não economizou esforços para manter a inflação sob controle, tomamos várias medidas. Em função disso, posso dizer que a inflação está sob controle e que nós vamos mais uma vez cumprir os limites do regime de metas de inflação – completou o ministro.
Mais gastos
Ainda assim, os gastos dos brasileiros no exterior, durante as viagens internacionais que se multiplicam devido à disparidade entre o dólar e o real, e atingiram o recorde de US$ 10,2 bilhões no primeiro semestre, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira, em um aumento real de 44% em relação ao mesmo período de 2010. A elevação ocorre mesmo após o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos gastos com cartão no exterior, que subiu de 2,38% para 6,38% no final de abril. O objetivo do governo era reduzir o endividamento dos brasileiros.
Segundo o BC, os brasileiros gastam como nunca durante as viagens e apenas trocaram o cartão de crédito por outras formas de pagamento, como o cartão pré-pago e dinheiro em espécie, nas quais o imposto é de 0,38%. As despesas dos estrangeiros que visitam o Brasil, no entanto, cresceram menos, de US$ 2,9 bilhões para US$ 3,4 bilhões. A diferença entre os gastos de brasileiros e estrangeiros é um dos fatores que contribui para o aumento do deficit do Brasil nas suas transações correntes.
O BC projeta uma diferença de US$ 15 bilhões neste ano. Isso representa 25% do resultado negativo do país nas suas transações com o exterior.
Novos investimentos
No setor empresarial, o investimento estrangeiro direto na economia brasileira cresceu quase 170% no primeiro semestre e chegou a US$ 32,5 bilhões, segundo o BC. O valor foi mais que suficiente para cobrir o deficit do Brasil nas suas transações com o exterior, que passou de US$ 23,8 bilhões, no primeiro semestre de 2010, para US$ 25,5 bilhões no mesmo período de 2011.
Os investimentos em ações no país caíram praticamente pela metade na mesma comparação, para US$ 3,5 bilhões, enquanto as aplicações de estrangeiros em títulos de renda fixa recuaram de US$ 9,3 bilhões para apenas US$ 133 milhões.
Em junho, o deficit nas transações recuou em relação ao mês anterior, para US$ 3,3 bilhões. O investimento direto subiu para US$ 5,5 bilhões.
Disparidade
Especialistas do mercado financeiro antecipam que a taxa de R$ 1,50 deve se tornar o próximo "piso psicológico" para o dólar, depois que a cotação da moeda norte-americana passou a oscilar abaixo de R$ 1,55, o seu preço mínimo mais duradouro dos últimos anos. Na véspera, a taxa de câmbio doméstica recuou para R$ 1,543 (uma queda de 0,6%), após cinco dias consecutivos de perdas. Trata-se de um preço não visto desde janeiro de 1999, quando ocorreu a mudança do regime cambial do país (de "fixo" para "flutuante"), como determinou o ministro Mantega.
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