Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Mantega recomenda 'dormir de olho aberto' para a questão cambial

Ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou, nesta terça-feira, que a valorização do real chegou no limite e que "o atual patamar da moeda brasileira é bom, pois não irá atrapalhar o exportador brasileiro". (Leia Mais)

Terça, 09 de Setembro de 2008 às 08:41, por: CdB

Ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou, nesta terça-feira, que a valorização do real chegou no limite e que "o atual patamar da moeda brasileira é bom, pois não irá atrapalhar o exportador brasileiro". Segundo ele, o câmbio está vivendo um momento de auto-correção. Devido à desvalorizações recentes do dólar, empresários brasileiros vêm perdendo competitividade no mercado internacional, já que os produtos brasileiros se supervalorizaram.

Mantega, no entanto, voltou a manifestar preocupação com as contas externas brasileiras, mas lembrou que, se houve uma mudança importante na economia do país no últimos anos foi a redução da vulnerabilidade externa, com o acúmulo de reservas de US$ 206,5 bilhões.

– Com aquele câmbio que nós tínhamos, muito valorizado, você tem um prejuízo para as contas externas. Então você continua importando mais e exportando menos – disse.

O ministro explicou que a auto-correção cambial por que passa o mercado brasileiro não significa uma intervenção do governo e, sim, as conseqüências de fatores determinados pelos agentes financeiros.

O ministro ressaltou que o mercado norte-americano também sofreu influências da desvalorização do dólar porque, com a queda no preço dessa moeda, houve redução no preço dos produtos.

– Os (norte-)americanos passaram a exportar mais. É o que explica em parte também o desempenho menos pior da economia (norte-)americana. Ou seja, eles cresceram mais do que esperavam porque o dólar se desvalorizou e eles passaram a exportar mais – afirmou.

Commodities

Ainda na avaliação de Mantega, a queda no preço das commodities vai compensar o impacto que da elevação do preço do dólar na economia brasileira. Segundo o ministro, haverá uma neutralização da valorização da moeda norte-americana e isso não afetará a inflação, mas pelo contrário poderá trazer resultados como a deflação já registrada na véspera, no Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que trouxe deflação. Ele disse ainda que a desvalorização do real que ocorre no momento não será igual à que houve no passado.

– Nós podemos dormir tranqüilos do ponto de vista de inflação. Dormir a gente nunca dorme. Dormir sempre com o olho aberto – disse.

Mantega não quis comentar se era o momento de reduzir os juros e ressaltou que essa é uma atribuição do Banco Central, que começou nesta terça-feira a definir a tendência da taxa básica de juros para a economia brasileira.

– Aí não é o meu departamento. Ainda mais em véspera de Copom (Comitê de Política Monetária) – disse.

O comitê, formado por diretores do Banco Central, é que define o índice da Selic, a taxa que serve como referência ao mercado financeiro para definir os juros que são cobrados das pessoas e empresas que buscam empréstimos.

Fannie Mae e Freddie Mac

Guido Mantega também comentou a intervenção do governo norte-americano no mercado imobiliário e disse que ela foi, não só necessária, mas acertada do ponto de vista da economia global. Segundo ele, a decisão evitou a deteriorização da crise que poderia atingir o Brasil. Ele disse que o agravamento da crise, em algum momento, poderia afetar o Brasil, que já está sendo atingido pelo problema. O Tesouro americano anunciou no último domingo (7) a ajuda de US$ 200 bilhões às duas maiores agências hipotecárias do país, Fannie Mae e Freddie Mac.

Mantega lembrou que as duas empresas têm impacto não só no mercado imobiliário americano e sua falência poderia provocar uma quebradeira nos Estados Unidos, que poderia arrastar o sistema financeiro mundial.

– A economia (brasileira) está robusta. (Mesmo assim) sempre afeta um pouco. Essa saída de capitais da bolsa de valores brasileira e a remessa de lucros e dividendos (das empresas para as matrizes no exterior) é resultado da crise financeira. Se não houvesse a crise, não teria essa saída – ponderou.

Se a crise ficar nesse patamar, acredita o ministro, o problema não afetará mais o Brasil. Outro fator, porém, tem ajudado a crise: o posicionamento do Banco Central Europeu, que, nesse momento está numa situação muito conservadora, ao estabelecer os juros em 4,25% ao ano. A medida foi criticada por Mantega.

– Tanto que a União Européia está sofrendo por causa disso. Os países europeus estão com um problema de crescimento muito baixo. Há uma retração forte no crescimento e as economias estão entrando em recessão. Isso é ruim e talvez tenha sido um equívoco – avaliou.

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