O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta quinta-feira que tenha feito "ameaças" quando disse que pode ser necessário aumentar impostos para compensar possíveis perdas de arrecadação, caso não seja aprovada a prorrogação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF).
— Sou um homem do entendimento. Tanto é verdade, que pedi uma conversa com o presidente da CCJ, que foi muito solícito e nos atendeu. Estou aqui para dialogar e acredito em um entendimento, que possamos entrar em um acordo —, disse Mantega ao final de encontro com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, senador Marco Maciel.
O ministro, no entanto, afirmou que é obrigado a dizer que, uma frustração para a arrecadação - no caso de não ser aprovada a prorrogação da CPMF - trará "grandes conseqüências" para as contas públicas brasileiras, inclusive com cortes em verbas para os estados previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
— Se houver uma frustração da ordem de R$ 15, R$ 20 bilhões, não deixaremos ocorrer um desequilíbrio fiscal e não deixaremos de fazer os gastos sociais que a CPMF respalda —, disse.
Quanto às discussões sobre a desoneração de impostos prometida pelo governo, o ministro deixou claro que a posição da área econômica é continuar desonerando a economia, mas não de forma súbita, sem planejamento nem no mesmo montante de arrecadação da CPMF.
— Daí a necessidade de se fazer uma coisa gradual, nada intempestivo, nenhuma redução intempestiva de arrecadação, porque isso poderia causar um trauma e nos obrigaria a fazer uma ajuste fiscal muito difícil no momento —, disse.
Mantega voltou a afirmar que confia na sensibilidade dos congressistas sobre a prorrogação da CPMF até 2011 e para o estabelecimento de um programa de desoneração de impostos após a Emenda Constitucional que trata do assunto ser aprovada no Senado.
— Eu me comprometo a fazer isso, em conjunto com a oposição, caminhando juntos no sentido de uma desoneração tributária que seja boa para o Brasil, mas que o mesmo tempo não ameace o equilíbrio das contas públicas —, afirmou.
O ministro também garantiu ao senador Marco Maciel que o governo enviará ao Congresso, nos próximos dias, uma proposta de Reforma Tributária para modernizar toda a estrutura de impostos no país.
Mantega nega ter feito "ameaças" ao falar de aumento de impostos
Quinta, 11 de Outubro de 2007 às 13:48, por: CdB