Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Mantega nega que país esteja passando por uma desindustrialização

Quarta, 04 de Abril de 2007 às 14:38, por: CdB

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta quarta-feira que o país esteja passando por um processo de desindustrialização por causa valorização do real frente ao dólar, como vêm afirmando setores exportadores.

- É uma avaliação equivocada. Basta ver o desempenho de vários setores da economia brasileira. Estamos verificando ainda agora, no início de 2007, o crescimento de vários setores da indústria de transformação -, rebateu o ministro, referindo-se à indústria automobilística e à de bens de capital.
 
- Não há esse fenômeno da desindustrialização, muito pelo contrário -, garantiu.

Mantega discorda da avaliação de que o Banco Central errou por manter elevada a taxa básica de juros (Selic), o que poderia provocar a sobrevalorização do real.

- O Banco Central está praticando uma política monetária correta, adequada para o país -, defendeu.

O ministro afirmou que, ao contrário, a política de juros tem ajudado a melhorar os fundamentos da economia.

- Nunca estivemos em condições tão favoráveis, combinando o crescimento mais forte da economia com uma inflação sob controle e com o risco país caindo de forma inédita. É o melhor dos mundos, o que nós estamos vivendo. Não posso condenar o BC, que é um dos responsáveis por essa política -, disse.

Mantega fez as avaliações durante entrevista coletiva, ao comentar as declarações do ex-secretário de política econômica Julio Sergio Gomes de Almeida, na edição desta quarat-feira do jornal O Estado de S. Paulo. Na entrevista, Almeida, demitido nesta quarta, condenou a política cambial do BC que, no seu entender, teria provocado a "sobrevalorização" do real e a conseqüente "desindustrialização" do país.

Apesar das declarações contrariarem a atual política econômica do governo, Mantega disse que a demissão do secretário não tem relação com a entrevista.

- Ele já tinha pedido demissão antes da entrevista. Ele já falou (na entrevista) com a linguagem de quem já estava fora do governo -, disse Mantega.

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