O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta quinta-feira que o governo esteja usando a liberação de recursos para atender emendas parlamentares como barganha para conseguir aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Congresso Nacional. Pouco antes de receber em seu gabinete parlamentares para discutir o assunto, o ministro afirmou que o trabalho de convencimento está sendo feito "com base nos bons argumentos do governo".
— Temos um fluxo até o final do ano [de liberação de verbas] e vamos cumprir independentemente de aprovação de CPMF —, disse o ministro, ao explicar que todos os anos o governo, em comum acordo com o Legislativo, bloqueia verbas previstas no Orçamento e as libera no decorrer do ano de acordo com o volume de arrecadação.
— Este ano estamos até atrasados. Se houvesse esse interesse de fazer essa conexão ou a manipulação das emendas nós já deveríamos tê-las liberado com antecedência —, afirmou.
Segundo o ministro, o principal argumento do governo para conseguir a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a CPMF até 2011, será a importância que o tributo adquiriu, especialmente na área social.
— Temos argumentos suficientes para convencê-los da necessidade desses recursos para manter o equilíbrio fiscal do estado e para a execução desses projetos, tanto os sociais quanto os de infra-estrutura. Todos sabem que eles são necessários para que o país continue crescendo e se desenvolvendo como está ocorrendo hoje —, disse.
Mantega disse que não será necessário aguardar 90 dias para fazer valer a prorrogação, como normalmente ocorre após a aprovação de um tributo.
— Não há necessidade de 'noventena', porque você só estará dando continuidade a uma legislação que já está em vigor —, explicou.
Pela Constituição, a prorrogação da CPMF deve ser aprovada pelo menos 90 dias antes do prazo final da vigência, que é 31 de dezembro, para entrar em vigor. Mas a proposta ainda tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para depois seguir para uma comissão especial, que deverá apreciá-la em 40 sessões antes de ir para votação no plenário da Câmara em dois turnos. Só depois de votada na Câmara, a PEC seguirá para o Senado.
Mantega argumentou que já há jurisprudência quanto ao tema, já que em 2003 a prorrogação foi aprovada fora do prazo de 90 dias e mesmo assim a CPMF continuou valendo em janeiro de 2004. Ele disse ainda que o governo só deveria cumprir a quarentena se houvesse mudança na lei da CPMF, o que não está nos planos.
— A gente não tem intenção nem de mudar a alíquota nem de dividir com os estados. Então, não há problema de 'noventena' —, afirmou.
Mantega nega liberação de emenda parlamentar para aprovar CPMF
Quinta, 09 de Agosto de 2007 às 15:50, por: CdB