O risco de a crise financeira atingir os bancos brasileiros é muito pequeno, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
– Não vejo contaminação. O sistema financeiro aqui está sólido. Talvez tenhamos alguma escassez de crédito internacional, não do credito local – afirmou.
Segundo Mantega, se o problema se prolongar, o governo poderá tomar algumas medidas e estimular o crédito para investimento, “não para consumo, porque crédito para consumo não está faltando”. Mantega ressaltou que as empresas brasileiras que captavam recursos no exterior não estão conseguindo ou estão pagando preço muito alto para isso.
Mantega esclareceu que as possíveis medidas de estímulo ao crédito seriam restritas aos investimentos, já que, segundo ele, não há falta de crédito para o consumo no país.
– Esse é um problema que pode ser passageiro e pode ser resolvido... Se isso se prolongar, nós poderemos tomar algumas medidas no sentido de estimular o crédito para investimento – afirmou o ministro.
O ministro garantiu que, se faltar crédito internamente para investimento, agricultura e exportações, por exemplo, o governo tomará as medidas no sentido de resolver o problema.
– Não tomou (nenhuma medida) porque por enquanto não há necessidade para isso – afirmou.
Em palestra feita na segunda-feira em São Paulo, Mantega reafirmou que a taxa de expansão do crédito ao consumidor no Brasil, em torno de 32%, continua acima do que ele considera saudável. No entender do ministro, o aperto no crédito é uma das poucas consequências da crise financeira internacional, que se arrasta há mais de um ano, sobre a economia brasileira até o momento.
Sem salvação
Mantega também afirmou, pela manhã, que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não deve salvar todas as instituições financeiras, no caso de uma crise generalizada, mas considerou acertado o socorro de US$ 85 bilhões à seguradora American International Group (AIG). Para ele, o governo norte-americano deve socorrer apenas os bancos que possam provocar um risco sistêmico.
– O Fed não pode permitir que ocorram problemas que afetem todo o sistema. Senão, você vai ter uma quebradeira geral e aí é ruim para todos. Acho que as empresas que cometeram o erro, que se comprometeram com crédito pouco seguro, têm que pagar o preço – afirmou.
Mantega lembrou que essas instituições já estão sendo penalizadas por terem apostado em papéis vinculados ao setor imobiliário norte-americano, estopim da crise que afeta os mercados mundiais.
– O Lehman Brothers virou pó. O problema é quando você tem uma quebradeira generalizada que atinge vários bancos em diversos países. Você tem que intervir, se não cria um problema maior – disse.
No caso da AIG, o ministro considerou correto e adequado o socorro à seguradora, principalmente depois da experiência do Lehman Brothers. O banco de investimento não recebeu ajuda do governo norte-americana e terminou pedindo concordata.
– Foi adequada (a iniciativa de socorrer a AIG). Com isso houve uma acalmada na crise financeira, que não vai acalmar agora e vai continuar. Pelo menos diminuiu o seu impacto na economia mundial – disse.