Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Mantega esvazia discurso de Marina sobre fundo soberano

Terça, 23 de Setembro de 2014 às 12:00, por: CdB
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que servirá à presidenta até o último dia de seu mandato
Ministro da Fazenda, o economista Guido Mantega considerou “legítima” a utilização do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para cobrir despesas da União em 2014. A frustração nas projeções de crescimento da arrecadação levou o governo a sacar R$ 3,5 bilhões do fundo para impedir novo corte de despesas discricionárias (não obrigatórias). O argumento esvaziou as críticas da candidata à Presidência da República, Marina Silva (PSB/Rede Sustentabilidade), em entrevista nesta manhã. – O Fundo Soberano é uma poupança primária que nós fizemos em 2008. Portanto, ele é perfeitamente utilizável. Não tem nada mais legítimo do que a utilização do Fundo Soberano, que nós economizamos em 2008, para cobrir uma parte das despesas. Então, não vejo qual a complicação nisso – disse ao chegar para o trabalho, nesta terça-feira, no Ministério da Fazenda, em Brasília. A decisão da utilização do FSB consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, documento divulgado a cada dois meses, pelo Ministério do Planejamento, que orienta a execução do Orçamento Geral da União. O relatório indica também que, pelo terceiro bimestre seguido, a equipe econômica diminuiu a previsão oficial de crescimento da economia. A estimativa de aumento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) caiu de 1,8% para 0,9%. Para a inflação, a estimativa oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 6,2% e, apesar da alta do dólar, o relatório prevê que a taxa média de câmbio fechará 2014 em R$ 2,29, sem mudança em relação ao documento anterior. O Fundo Soberano foi formado pelo excedente do superávit primário – economia de recursos para pagar os juros da dívida pública – de 2008. A poupança serviu como reserva, caso o governo precisasse fechar as contas públicas. No fim de 2012, o Tesouro Nacional já havia sacado R$ 12 bilhões para alcançar a meta de superávit primário daquele ano. A candidata Marina Silva afirmou que, ao usar recursos do Fundo Soberano para fechar as contas públicas, a presidenta Dilma Rousseff (PT) compromete a estabilidade econômica do país. – O uso dos recursos do Fundo Soberano para socorrer as contas públicas do governo é uma demonstração clara de que o atual governo está comprometendo a estabilidade econômica de nosso país – criticou. Inflação Mantega também recebeu, nesta manhã, os últimos números da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que ficou em 0,43% na terceira semana de setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A taxa é 0,04 ponto percentual superior à verificada na segunda semana de setembro, que foi 0,39%. O aumento da taxa foi puxado, principalmente, pelo grupo de despesas de habitação, onde a taxa passou de 0,46%, na segunda semana, para 0,51% na terceira semana. O principal item responsável pela inflação nesse segmento foi a eletricidade residencial, que ficou 1,66% mais cara na terceira semana de setembro. Outros grupos que contribuíram para a alta do IPC-S foram comunicação (a taxa subiu de 0,09% para 0,45%), alimentação (de 0,43% para 0,47%) e transportes (de 0,28% para 0,29%). Já os três grupos de despesas que tiveram queda na taxa entre as duas semanas foram saúde e cuidados pessoais (0,53% para 0,47%), vestuário ( -0,01% para -0,02%) e despesas diversas (de 0,20% para 0,19%). O grupo educação, leitura e recreação manteve a mesma taxa nas duas semanas: 0,64%. O IPC-S é calculado semanalmente com base em preços coletados no período de um mês. Em alta Entre os ítens que mais impactaram a inflação oficial, no mês passado, as passagens aéreas tiveram a demanda ampliada no setor de transportes no Brasil. O segmento voltou a crescer em agosto, após ter quase estabilidade durante a Copa do Mundo, com alta de 5,9% ante mesmo mês de 2013, disse a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) nesta terça-feira. A demanda praticamente não havia crescido em julho e junho, uma vez que viajantes de negócios reprogramaram compromissos para evitar viagens durante o torneio. – São dados positivos porque podem indicar que nem toda a reprogramação de viagens do ano ficou concentrada no primeiro semestre – disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz. A oferta no periodo permaneceu contida, com queda de 0,9% ante agosto do ano passado. A combinação de aumento na demanda e queda na oferta permitiu um avanço de 5,1 pontos percentuais na taxa de ocupação doméstica, que subiu para 79,3% no mês, recorde para agosto. Segundo o consultor técnico da Abear Maurício Emboaba, os níveis da taxa de ocupação têm se aproximado dos registrados nos Estados Unidos, o que ilustra maior eficiência da indústria. Para viagens internacionais houve alta de 14,7% na demanda em agosto e crescimento de 5,2% na oferta, com a taxa de ocupação subindo 7,1 pontos percentuais, para 85,3%, recorde histórico.
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