O Brasil não terá problemas de escassez energia, como os que vêm ocorrendo atualmente na Argentina, garantiu nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
— Nós temos plano A, plano B e plano C. É energia hidrelétrica, térmica, nuclear, tudo que for. Mas nós vamos garantir energia para o país que possa crescer 5% ao ano —, afirmou.
O ministro disse que não dá para comparar o Brasil com a Argentina, porque o crescimento brasileiro é mais equilibrado. De acordo com Mantega, na época do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o governo poderia ter estimulado o crescimento para uma taxa de 7% ao ano, mas isso não foi feito para não "serem criados pontos de estrangulamentos na economia".
Ele ressaltou que a infra-estrutura do país ficou defasada porque pouco investiu-se nos últimos 15 anos no setor devido a questões como a "crise fiscal". De acordo com ele, se o atual governo estivesse no poder nos últimos 15 anos também pouco poderia ter sido feito por falta de condições.
— Por isso nós damos tanta ênfase agora ao Programa de Aceleração do Crescimento [PAC] para resolver as questões de infra-estrutura —, disse.
Guido Mantega enfatizou ainda que o Estado tem os poderes para acelerar o crescimento a taxas maiores, mas a equipe econômica prefere não correr riscos e fazê-lo de forma "gradual, moderada e sólida".
O ministro da Fazenda disse que se depender dele não haverá nenhum tipo de corte de gastos no orçamento o setor aeroportuário.
— Se depender de mim, mas não depende, não haverá nenhum tipo de contigenciamento no setor de logística, de transporte, porque o crescimento [no setor] é espetacular —, disse.
O ministro rebateu críticas do deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP) sobre seu posicionamento político que, segundo o parlamentar, teria deixado de ser social-democrata.
— Continuo social-democrata, com as minhas idéias. Sou contra o capitalismo selvagem, que era adotado aqui no Brasil. Não concordo com o modelo econômico do PSDB, que encaminhou o povo para liberalismo econômico —, disse.
De acordo com Mantega, não dá para comparar o governo passado com o atual e achar que o governo Lula é uma continuidade do governo de Fernando Henrique Cardoso.
— Embora reconheça méritos no governo anterior, e há sempre uma continuidade de um governo para o outro, a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo, é mérito inegável do seu governo, mas o nosso modelo é social-desenvolvimentista —, afirmou, dirigindo-se ao deputado Arnaldo Madeira.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participou de audiência na Comissão de Finanças e Tributação, na Câmara dos Deputados.
Mantega diz que país tem planos para garantir energia para crescimento de 5%
Quinta, 12 de Julho de 2007 às 15:08, por: CdB