Mantega desautoriza especulações sobre cortes no Orçamento
Ministro da Fazenda, Guido Mantega disse, nesta sexta-feira, que o governo ainda não tem um número exato para o corte do Orçamento, que deve ser apresentado à presidente Dilma Rousseff apenas no início de fevereiro.
Ministro da Fazenda, Guido Mantega disse, nesta sexta-feira, que o governo ainda não tem um número exato para o corte do Orçamento, que deve ser apresentado à presidente Dilma Rousseff apenas no início de fevereiro.
– Não existe número. A Fazenda não tem proposta. A gente vai discutir cada projeto... e vamos levar à presidente uma proposta no início de fevereiro... O trabalho vai demorar umas duas, três semanas – afirmou ele a jornalistas, negando uma notícia veiculada por um diário conservador paulistano de que o ministério teria sugerido a Dilma um bloqueio superior a R$ 40 bilhões, podendo chegar a R$ 50 bilhões.
Mantega, em seguida, desautorizou qualquer especulação de números sobre o corte que será feito no Orçamento Geral da União (OGU) deste ano.
– Quem falou não está autorizado. Eu é que tenho a palavra sobre isso – disse.
Desde sua definição, a equipe econômica do novo governo adotou um discurso claro de redução dos gastos, mas o mercado continua cauteloso sobre o tema enquanto números concretos não são anunciados. Os cortes são vistos como instrumento importante em meio à pressão inflacionária e esperada alta de juros, o que pode valorizar ainda mais o real.
– Hoje vamos estabelecer os critérios para que cada ministério faça um trabalho junto com o Planejamento e a Fazenda... (ver) quanto é possível reduzir em cada ministério. Planejamos uma redução sensível dos gastos. Vamos olhar se tem gordura em algum lugar, algo que possa ser reduzido... Sempre é possível aumentar a eficiência, fazer mais com menos gastos – disse Mantega referindo-se à primeira reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff, nesta sexta-feira.
Ele pontuou, ainda, que serão feitas reduções máximas de gastos de custeio.
– Não se deve comprar equipamentos novos. Temos que trabalhar com o que temos – fez a analogia.
O ministro também comentou o swap cambial reverso, anunciado pelo Banco Central em mais um passo para tentar conter a valorização do real.
– É mais uma orientação de que nesse momento é necessário uma intervenção maior no mercado de derivativos, no mercado futuro. O BC voltou a fazer uma intervenção clássica. Quando você entra com swap reverso... neutraliza a venda e impede que haja uma valorização do real – acrescentou.
Trata-se de mais uma entre as muitas opções de política monetária para conter a queda do dólar ante o real, com prejuízo das exportações brasileiras. Outras medidas já foram adotadas, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de dinheiro especulativo e a elevação do compulsório bancário nas instituições financeiras com grandes volumes de dólares em caixa. Analistas, no entanto, disseram que a medida teria pouco impacto sobre o mercado. Apesar dessas medidas, a moeda norte-americana fechou na véspera com a terceira queda seguida.
Mínimo
Quanto às discussões sobre eventual aumento do salário mínimo, pelo Congresso Nacional, o ministro salientou que “também não há nada definido”. Desde o dia 1º, está em vigor o valor de R$ 540, que os parlamentares e sindicalistas tentam elevar para até R$ 580. Mas, de acordo com expectativas dos próprios políticos, a questão deve se arrastar até março.
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