Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Mantega: Crise deixou o Brasil mais forte

Ministro da Fazenda, Guido Mantega acredita que a crise do capitalismo internacional representa uma oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo suas "virtudes" e que os últimos dados mostram uma aceleração da economia brasileira "mais forte do que se imaginava". Com o discurso de que a crise, para o Brasil, já ficou no passado, Mantega arriscou o prognóstico para a próxima década, quando o Brasil será um país avançado, "a quinta ou a sexta economia do mundo". (Leia Mais)

Quinta, 10 de Setembro de 2009 às 09:10, por: CdB

Ministro da Fazenda, Guido Mantega acredita que a crise do capitalismo internacional representa uma oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo suas "virtudes" e que os últimos dados mostram uma aceleração da economia brasileira "mais forte do que se imaginava". Com o discurso de que a crise, para o Brasil, já ficou no passado, Mantega arriscou o prognóstico para a próxima década, quando o Brasil será um país avançado, "a quinta ou a sexta economia do mundo" e com potencial de crescer de 5% a 6% "por muito tempo".

Mantega disse ainda, na entrevista ao canal de TV britânico Brithish Broadcasting Company (BBC) que não acreditar em recaída da economia global e salientou que nada, nem as eleições, podem frear o que ele chamou de transformação do Brasil.

– O destino do Brasil já está traçado, mesmo que haja mudança na administração, que não seja um candidato petista que ganhe a eleição. As principais diretrizes são conquistas do povo brasileiro. Se mudar, vai apanhar. Se alguém assumir e começar a mudar isso, não vai se aguentar no governo – disse o ministro.

Perguntado se a crise teve um aspecto positivo para o Brasil ao acelerar um processo de projeção internacional do país, Mantega afirmou que o Brasil demonstrou um preparo maior do que muitos países para enfrentar os acontecimentos.

– Nós demoramos mais tempo para ter resultados negativos de produto. O PIB brasileiro só foi negativo dois trimestres, enquanto outros países tiveram PIB negativo por três, quatro, cinco trimestres. E nós já estamos num processo de franca recuperação – disse.

A crise, segundo o ministro, "foi muito importante para salientar essas vantagens que o Brasil possui em relação a outros países".

– Ficou demonstrado que o Brasil tinha uma situação fiscal sólida, que nós já controlávamos a inflação, que nossas contas públicas estão melhorando, que a dívida externa está diminuindo, que o Brasil tinha acumulado reservas, mas, além de tudo, que o Brasil tem uma capacidade produtiva grande, ou seja, que o Brasil é capaz de crescer. Isso é um grande divisor de águas. O Brasil tem um mercado interno, que outros países não têm, e este mercado interno está crescendo estimulado pelas políticas governamentais dos últimos 4, 5 anos – acrescentou.

Na opinião de Mantega, o governo brasileiro agiu com rapidez ao se deparar com a crise econômica.

– É por isso que estamos saindo mais rapidamente da crise, enquanto outros países demoraram mais para tomar medidas fiscais. Nosso programa de estímulo a automóveis começou em dezembro. Nos Estados Unidos, só começaram em junho deste ano, seis meses depois. Em março, abril, nossa indústria automobilística já tinha melhorado. Em seguida, fizemos medidas para o setor de linha branca, utilidades domésticas, material de construção. Uma diferença do Brasil para outros países é que fomos muito rápidos e ousados nas medidas que tomamos para atenuar a crise e já tínhamos nos antecipado com outras medidas – explicou.

A presença de ativos tóxicos no sistema bancário nacional é reduzida, um dos fatores que, de acordo com a entrevista do ministro Mantega, facilitou uma reação mais efetiva no auge da fase negativa, iniciada com o default dos créditos subprime nos EUA.

– O sistema financeiro brasileiro é hoje um dos mais sólidos do mundo. O que se dizia era que ele era conservador. O que quer dizer isso? Que tinha uma alavancagem baixa, ou seja, ele empresta um volume menor em relação a seus ativos do que outros países que alavancavam muito. Nos Estados Unidos, chegaram a alavancar mais de 30 vezes o capital. A alavancagem média no Brasil é de 6,5 vezes o capital, ou seja, abaixo do nível de Basileia. O que foi conservadorismo numa época foi favorável num momento de crise. Conservadorismo é um excesso de prudência. Mas não foi só isso. A regulação do Brasil é mais avançada do que em vários países. E, terceiro, a existência de bancos estatais. Num momento de crise, são totalmente seguros. Ninguém duvida dos bancos estatais. Não sofrem saques, sofrem depósitos e podem ir para a ofensiva como aconteceu com os bancos públicos brasileiros. Nos últimos 9 meses, 10 meses, eles aumentaram o volume de crédito quase 30% em relação a setembro. Os privados aumentaram um pouquinho, estão começando a se soltar agora – disse o ministro.

Mantega acrescentou que, além de um sistema financeiro sólido, o Brasil tem hoje um "mercado interno robusto, atuação do Estado estimulando a economia, fundamentos sólidos e contas públicas bem equilibradas".

– O Brasil terá um resultado, neste ano, melhor do que o G20. Mesmo com a crise essa trajetória vai continuar. A maioria dos países vai sair da crise machucada, com uma dívida maior, déficit elevado. Os Estados Unidos vão ter um déficit de 10%, já o Brasil vai ter pouco mais que 2%. Teremos um déficit menor do que a China, a Índia. É por isso que o Brasil está se salientando, por todas essas virtudes que está demonstrando – afirmou.

O ministro, no entanto, negou estar sendo muito otimista.

– As contas públicas em 2009 pioraram no mundo inteiro. Só que no Brasil pioraram menos do que pioraram no mundo. Mesmo em relação à Índia, à China, que são países considerados os mais promissores, as contas brasileiras estão melhores. Não estou nem comparando com os Estados Unidos, com a Grã-Bretanha porque estão infinitamente piores – concluiu.

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