Ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou nesta terça-feira que o governo "continuará a fazer esforços" para atenuar a valorização do real, mas ponderou que é difícil que o Brasil volte a ter o dólar cotado a R$ 2,90.
- Estamos fadados a ter uma moeda valorizada - disse após sua participação em seminário na capital paulista.
Apesar de dizer que gostaria de um câmbio mais desvalorizado e de juros menores no país, Mantega sustentou que não fará "nenhuma loucura".
- É muito difícil o Brasil voltar a ter um câmbio de R$ 2,90 (por dólar), temos que nos acostumar com um patamar menor porque, quanto mais o Brasil melhora, mais o câmbio fica assim (com o real valorizado). O governo continuará a fazer esforços para não permitir uma deterioração (do câmbio). O governo está atuando, está comprando reservas e fazendo leilões (no mercado). Se não estivesse atuando, o câmbio estaria abaixo de R$ 2 (por dólar) - acrescentou.
Em julho, o Banco Central realizou leilão de compra de dólares no mercado à vista quase que diariamente. O ministro ressaltou, no entanto, que no momento o governo não está estudando novas medidas para conter a valorização do câmbio, como a reforma da legislação cambial anunciada na semana passada, e voltou a descartar controle de capitais. Para o ministro, as principais causas da valorização do real são o forte superávit comercial, a solidez da economia, que atrai investidores, e em menor grau os juros altos.
No ano, até o fechamento de julho, o dólar acumula queda de 6,41% diante do real. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana beirava R$ 2,19 e a previsão de analistas, segundo o último relatório Focus, é de R$ 2,23 no encerramento de 2006.
Importações liberadas
Mantega também afirmou que, embora tenha escutado previsões de que o Brasil atingiria investment grade em 2008, acredita que isso possa ocorrer já no ano que vem. Questionado sobre a maior intenção da indústria de reajustar preços, conforme mostrou pesquisa da Fundação Getúlio Vargas na véspera, o ministro descartou um impacto significativo sobre a inflação. Segundo ele, a competitividade da economia impediria grandes repasses de preços e o governo também poderia atuar para conter o movimento.
- Se houver abuso de preços, não hesitaremos em reduzir alíquotas de importação - afirmou.
Mantega reiterou que prevê crescimento de 4% a 4,5% da economia neste ano.