Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Mantega anuncia medidas de apoio ao setor produtivo e novos estímulos à indústria

Terça, 17 de Junho de 2014 às 11:03, por: CdB
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Mantega diz que aumento nos juros segue a conjuntura
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o governo ainda está elaborando as novas medidas de estímulos, mas confirmou que serão divulgadas nas próximas horas. Mantega, adiantou que medidas serão anunciadas durante Fórum Nacional da Indústria. O encontro estrá previsto para ocorrer no Palácio do Planalto, às 15h desta quarta-feira. Mantega não antecipou que tipo de incentivo pode ser apresentado ao setor industrial. – Nós ainda estamos elaborando as medidas. Falo com vocês amanhã (sobre as medidas) – disse. Diante das insistência dos jornalistas que fazem a cobertura diária no Ministério da Fazenda para que as mudanças fossem anunciadas, o ministro respondeu bem-humorado: – Posso falar com vocês hoje às 16h30 (durante o jogo entre Brasil e México) – brincou. Ele não quis fazer nenhum prognóstico sobre o resultado da partida que abre a segunda rodada da Copa do Mundo, em Fortaleza, às 16h, pelo Grupo A no Castelão, em Fortaleza. Mantega deve assistir ao jogo no Ministério da Fazenda, em Brasília. O encontro com empresários, nesta quarta-feira, em Brasília, será realizado dois dias depois da Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciar que a confiança do empresário industrial caiu para o nível mais baixo, em mais de quatro anos. Segundo levantamento divulgado pela CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial registrou 47,5 pontos em junho. Com o resultado deste mês, o indicador está no mesmo nível de janeiro de 2009, auge da crise financeira internacional. De acordo com a CNI, a desconfiança só não é menor do que a registrada em janeiro de 1999, quando o país enfrentava a crise cambial provocada pela desvalorização do real. Naquele mês, o índice chegou a 46,5 pontos. Medidas cambiais Nas próximas semanas, em linha com o pacote de medidas para o setor produtivo, o Banco central deve anunciar uma nova redução de seu programa de intervenção cambial, na esperança de que a recente trégua nos mercados globais o ajude na tarefa sem causar muita instabilidade na taxa de câmbio. O governo tem lançado mão de uma série de medidas nos últimos anos para estabilizar a cotação do dólar, que em 2011 atingiu níveis que ameaçavam a indústria brasileira mas depois se enfraqueceu muito rapidamente, alimentando a inflação. Em uma de suas iniciativas de maior sucesso, o BC lançou em agosto do ano passado um programa de leilões diários de swaps cambiais. A oferta destes derivativos tem impedido que o real se desvalorize sem que o BC precise vender um único dólar de suas reservas internacionais, que se mantêm em quase US$ 380 bilhões. A estratégia também reduziu significativamente a volatilidade cambial, mantendo o dólar entre R$ 2,20 e R$ 2,25 durante a maior parte dos últimos dois meses. Mas para que o programa de intervenções tenha o efeito desejado, os detentores de swap precisam ser capazes, pelo menos em teoria, de trocar estes contratos por dólares em momentos de crise. Isso significa que o valor dos swaps em circulação não pode exceder o tamanho das reservas internacionais. Alguns analistas alertam que, por prudência, este limite deve ser ainda mais baixo e recomendam que o Banco Central reduza o ritmo de intervenção. O BC já cortou o volume de venda de swaps em dezembro, mas o estoque destes contratos subiu para quase US$ 90 bilhões desde então. – O Banco Central não pode vender swaps para sempre. Ele tem que usar este instrumento em situações específicas. A situação hoje é muito tranquila, não é uma situação em o BC deve estar gastando as reservas ou os derivativos que estão lastreados nas reservas – disse o professor visitante da Stanford University Márcio Garcia, que estuda o programa brasileiro de intervenção cambial e também leciona Economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente, o banco oferece por dia até 4 mil contratos de swap no valor de US$ 200 milhões, além de 10 mil contratos para rolar swaps que estão para vencer. Para o chefe de estratégia para mercados emergentes do Brown Brothers Harrima, Win Thin, o BC poderá reduzir o ritmo de intervenção se o câmbio estiver mais próximo do nível de R$ 2,20 por dólar. Se o BC mantiver o programa na sua forma atual, com a rolagem integral dos swaps que vencerem, o estoque destes contratos atingirá mais de US$ 115 bilhões até o fim do ano, segundo cálculos do Credit Suisse. A chefe de renda fixa do U.S. Bank Wealth Management, Jennifer Vail, estima que o BC ainda pode elevar o montante de swaps em circulação em 30% sem levantar grandes preocupações entre os investidores. – Há sempre riscos de eles continuarem a elevar a exposição (aos swaps), mas eu não acho que o programa tenha atingido níveis que preocupam as autoridades – disse ela.
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