Rio de Janeiro, 30 de Março de 2026

Mantega ainda acredita que país vá crescer 4% este ano

Terça, 05 de Setembro de 2006 às 09:25, por: CdB

Ministro da Fazenda, Guido Mantega tentou relativizar o fraco desempenho da economia brasileira no segundo trimestre do ano, e insistiu que o desempenho na segunda metade do ano será suficiente para garantir uma expansão mais forte do país no ano.

- Estes números desanimadores foram apenas concentrados no segundo trimestre e nós já estamos com a economia aquecida no terceiro trimestre - afirmou o ministro em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da rede Globo.

Segundo o ministro, as vendas de veículos no país em agosto aceleraram e atingiram 178 mil unidades, o que seria um indicador de crescimento econômico superior ao do trimestre passado.

- Isso significa que a economia já está num ritmo de crescimento, crescimento que eu acredito poderá chegar a 4 por cento até o final do ano - insistiu o ministro.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras no país, divulgou o fechamento de vendas e outros dados de desempenho do setor em agosto. Apesar de reconhecer que para alcançar a taxa de expansão desejada a economia teria que crescer no mínimo 5,5% no segundo semestre do ano, ainda assim Mantega se mostra confiante.

- É perfeitamente possível porque nós temos um mercado interno aquecido a partir da massa salarial crescente, a partir do crédito - disse o ministro, lembrando dados divulgados na semana passada que mostraram um avanço no consumo das famílias e do governo.

A desaceleração dos investimentos entre abril e junho também foi minimizada por Mantega.

- De fato houve uma queda no investimento localizada neste período. Em compensação, se você pegar o primeiro trimestre...tinha tido uma expansão excepcional do investimento. É um trimestre pelo outro. Isso não se dá com essa regularidade - ponderou.

Dados revisados

Depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou, na semana passada, que o PIB brasileiro cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre, analistas reduziram suas projeções para a taxa de expansão anual. Levantamento divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, mostrou que os economistas esperam um crescimento de 3,20% para a economia este ano.

Mantega acredita que essa projeção será elevada novamente, assim que os dados do terceiro trimestre confirmarem a recuperação no ritmo de atividade do país.

- Depois que tivermos o terceiro trimestre você vai ver, vão revisar novamente as projeções para cima do que estão fazendo hoje - disse.

O ministro também se mostrou confiante na redução dos custos de crédito no país a partir de medidas que serão discutidas nesta tarde pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Segundo Mantega, questões como o cadastro positivo do Banco Central tendem a reduzir os juros cobrados pelos bancos dos tomadores de empréstimos.

- Agora você vai poder observar o correntista que se comporta bem, que pagou sempre em dia, e este poderá receber uma taxa de juros menor e isso vai reduzir o custo do crédito no país - argumentou.

Na entrevista, o ministro evitou dar detalhes sobre a questão do pacote de incentivos ao setor de semicondutores no país. Mantega apenas reafirmou que o governo dará benefícios fiscais e que isso não representa uma perda de arrecadação.

- Semicondutores é um setor novo que não está implantado no país. Não é que você está diminuindo arrecadação... você está dando um benefício fiscal para um setor se implantar. Isso é comum em vários países - disse o ministro.

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