O ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu, nesta quarta-feira, a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física no próximo ano. Ele não sugeriu nenhum índice de correção, mas disse que a medida já está em negociação com o relator do Orçamento 2007, Valdir Raupp (PMDB-RO).
- Depende de outras concessões, mas é possível que o mecanismo (a correção da tabela) seja aprovado -, disse ele.
Há cerca de duas semanas, Raupp havia dito que iria propor ao governo um reajuste de 10% para a tabela em duas parcelas, uma em 2007 e outra em 2008. Além disso, o limite de dedução com gastos em educação seria reajustado na mesma proporção. Um dia depois, entretanto, Mantega disse que essa "não era uma prioridade" do governo federal, que buscava reduzir impostos para setores que pudessem estimular o aumento do investimento.
- No caso do Imposto de Renda ele não tem um impacto sobre o crescimento e certamente ele não é prioritário -, disse o ministro no último dia 14.
Após a reunião com empresários do setor de infra-estrutura em São Paulo, Mantega admitiu que no início se colocou contrário à correção porque não a achava necessária. Agora ele mudou de opinião.
- Eu tinha argumentado contra, mas houve negociações e deve haver uma acomodação -, disse.
As centrais sindicais defendem um reajuste da tabela de 7,7%. Já Raupp quer 10% em duas vezes, o que teria um impacto anual de R$ 773 milhões no Orçamento. Caso a proposta de Raupp fosse aprovada, o limite de isenção mensal passaria de R$ 1.257,12 para R$ 1.319,97 no ano que vem. Em 2008, subiria para R$ 1.382,83.
Já a alíquota de 15% passaria a incidir sobre salários que variem de R$ 1.319,98 até R$ 2.637,88 em 2007 e entre R$ 1.382,84 e R$ 2.763,28 a partir de 2008. Por último, a maior alíquota do IRPF, de 27,5%, passaria a incidir sobre os salários acima de R$ 2.637.89 (2007) e R$ 2.763,29 (2008).
Mantega admite correção da tabela do Imposto de Renda
Quarta, 29 de Novembro de 2006 às 19:17, por: CdB