Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Mansão de Gbagbo é invadida por forças leais a Quattara em Abidjan

Forças leais ao presidente eleito da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, invadiram a mansão onde o presidente Laurent Gbagbo estaria escondido há dois dias, nesta capital, segundo uma porta-voz de Ouattara. A oposição venceu as eleições de novembro do ano passado e o resultado foi reconhecido pela comunidade internacional. Gbagbo, no poder pela força das tropas leais a ele, recusa-se a renunciar. A guerra civil deflagrada há quase cinco meses já deixou centenas de mortos.

Quarta, 06 de Abril de 2011 às 08:36, por: CdB
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Forças leais ao presidente eleito da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, invadiram a mansão onde o presidente Laurent Gbagbo estaria escondido há dois dias, nesta capital, segundo uma porta-voz de Ouattara. A oposição venceu as eleições de novembro do ano passado e o resultado foi reconhecido pela comunidade internacional. Gbagbo, no poder pela força das tropas leais a ele, recusa-se a renunciar. A guerra civil deflagrada há quase cinco meses já deixou centenas de mortos. O país já esteve mergulhado em uma luta fraticida entre 2002 e 2003. Desde a véspera, Gbagbo se refugiou em um bunker no porão de sua casa, em Abdijã, invadida na manhã desta quarta-feira. As forças do novo governo estão, literalmente, às portas do ex-dirigente marfinense. Diante de um cessar-fogo, ele chegou a negociar uma rendição com a França e a Organização das Nações Unidas (ONU). Pouco depois, contudo, voltou atrás e disse que não reconhece Ouattara como presidente. – Eles estão em processo de entrar na residência para prender Gbagbo. Ainda não o pegaram, mas estão no processo. Eles já estão no prédio. Vamos tirar Laurent Gbagbo de seu buraco e colocá-lo à disposição do presidente da República. As Forças Republicanas da Costa do Marfim (FRCI, pró-Ouattara) decidiram resolver o problema de Gbagbo. Vamos à residência para acabar com esta comédia. E iremos até onde existirem bolsões de resistência. A comédia deve terminar, já que o país afunda – afirmou Sidiki Konaté, porta-voz de Guillaume Soro, primeiro-ministro de Ouattara. Pouco antes, disparos de armas pesadas foram ouvidos nas imediações da residência e do palácio presidencial. Um outro porta-voz do movimento opositor, Patrick Achi, garantiu à agência inglesa de notícias Reuters que as tropas de Ouattara, já no interior da residência, receberam ordens para não matar Gbagbo. – Nunca foi e não é a intenção de ninguém do lado de Ouattara assassinar o ex-presidente Gbagbo. Alassane Ouattara deu instruções formais para que Gbagbo seja mantido vivo porque nós queremos levá-lo à Justiça – garantiu. A França, que manteve Costa do Marfim como colônia durante séculos, confirmou por meio de agências independentes de notícias que ocorreram combates nas vizinhanças da residência de Gbagbo, mas ressaltou que as tropas francesas estacionadas na capital não foram acionadas. Fonte do governo francês disse que os combates começaram após Gbagbo mostrar que não estava disposto a negociar com mediadores que tentavam convencê-lo a deixar o poder. – Ele não é sincero em sua disposição de negociar sua saída. O presidente Ouattara considerou que as negociações para obter a rendição de Gbagbo se prorrogavam e que Gbagbo buscava apenas ganhar tempo. Assim decidiu intervir militarmente para tentar solucionar o problema, ou seja, capturar Gbagbo com vida – disse a fonte, acrescentando que a legião estrangeira não participava dos combates em terra nos arredores da residência. As negociações para persuadir Gbagbo a deixar o poder chegaram ao impasse depois que ele desistiu do trato negociado com a ONU para assinar um documento em que renunciaria à Presidência. Em tom desafiador, Gbagbo negou estar disposto a se render, apesar de um violento ataque de forças leais a Ouattara. Na véspera, Gbagbo negou à rádio francesa RFI que estivesse negociando sua saída. – Não estamos na fase de negociações. E minha saída de onde? Para onde? – desdenhou.
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