O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, admintiu, após a derrota de 3 x 2 no amistoso de quarta-feira contra a Alemanha, que desfazer o time de Dunga foi fácil. Bem mais desafiador é criar algo novo. Com essa derrota, mais a frustrante campanha na Copa América, aumenta a pressão sobre Mano.
Os preparativos do Brasil para receber a Copa do Mundo de 2014 têm sido marcados por atrasos nas obras em estádios e aeroportos, e o progresso da seleção anfitriã é igualmente lento.
Depois da desastrosa eliminação nas quartas de final da Copa de 2010, o técnico Mano Menezes foi nomeado para, com apoio da torcida e da CBF, colocar tudo abaixo e começar do zero.
A intenção era abandonar o futebol-força, de contra-ataques, que priorizava a vitória a qualquer custo -- características de Dunga, o antecessor -- e recuperar o futebol inventivo e ofensivo, tradicionalmente associado ao país.
Jovens talentos como Neymar e Paulo Henrique Ganso foram convocados, enquanto veteranos como Felipe Melo, Gilberto Silva e Luiz Fabiano foram sacados.
Mas, como admitiu o próprio Mano após a derrota de 3 x 2 no amistoso de quarta-feira contra a Alemanha, desfazer o time de Dunga foi fácil. Bem mais desafiador é criar algo novo.
- É um longo caminho a percorrer, e boas intenções não bastam - disse ele, após a primeira vitória alemã sobre o Brasil em 18 anos.
- Gostaríamos de estar melhores. No futebol não há milagres, temos de ultrapassar esses estágios. Jogamos com três atacantes e um meia ofensivo, e ainda não fomos tão positivos quanto gostaríamos.
- Marcar e destruir é mais fácil, a parte criativa é mais difícil, e estamos aqui lutando. Está sendo muito difícil para nós criarmos jogadas ofensivas.
Com essa derrota, mais a frustrante campanha na Copa América (eliminado nos pênaltis pelo Paraguai nas quartas de final, após só uma vitória na primeira fase), aumenta a pressão sobre Mano.
A CBF, no entanto, disse que ele será mantido e que tudo está dentro dos planos. - - Prefiro a realidade, mesmo que seja dura, à ilusão de resultados sem consistência, que poderiam trazer prejuízos ainda maiores no futuro - disse o presidente Ricardo Teixeira no site da Confederação.
- O trabalho continua, com total confiança da CBF.
Tarefa nada invejável
Mano, com sua personalidade tranquila e reflexiva, obteve seis vitórias, quatro empates e três derrotas nas 13 partidas que fez com a seleção. Sobre ele depositam-se enormes expectativas de conquistar o hexacampeonato jogando em casa -- e finalmente sepultar o fantasma da final de 1950, perdida para o Uruguai em pleno Maracanã.
Mas, na quarta-feira, o que se viu foi um time longe de estar entre os melhores do mundo. Mano admitiu que a equipe alemã, com idade média inferior a 24 anos, foi um exemplo do que deveria ser feito.
– Nossos adversários realmente sabiam onde o outro estava, sempre tiveram um meia defensivo no lugar certo, dificultaram tudo. Estamos longe de chegar a esse grau de automação –, disse.
Sua grande preocupação era de que o Brasil dependesse de momentos de inspiração individual de seus jogadores, em vez de construir jogadas coletivamente. Por isso, o treinador -- que ganhou respeito ao trazer o Grêmio e o Corinthians de volta à Série A -- acha que está no caminho certo.
– Estamos procurando os jogadores certos, e já encontramos vários, capazes de serem jogadores que podem se desenvolver durante este período e que podem se transformar nesses jogadores que queremos para considerar o time forte –, afirmou.
– Não podemos compará-los a jogadores estabelecidos, mas eles têm potencial para isso, têm a qualidade e a personalidade para jogar na seleção. Ainda temos bastante tempo.
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