Rio de Janeiro, 22 de Agosto de 2026

Manipulação da informação

Segunda, 29 de Fevereiro de 2016 às 14:27, por: CdB
Colunista procura interpretar os noticiários desencontrados pelos quais um leitor desavisado nunca sabe onde está verdade. Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:
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Colunista deplora a manipulação da informação
A cobertura dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo não mais escondem a manipulação da informação, que em alguns momentos beira o ridículo e serviría de manancial para o saudoso jornalista Sérgio Porto, o Stanislau Ponte Preta. Se estivesse ainda entre nós, provavelmente abastecería o Festival de Besteiras que assola o país (Febeapá) com uma série de mancadas.Vejamos então exemplos concretos que confirmam o que foi dito. Quando o Papa Francisco visitava o México e, antes um pouco, ao se encontrar, em Havana, com o Patriarca da Igreja Ortodoxa russa Kiril (ou Cirilo, como preferem alguns), um jornalista da Rede Globo, em Nova York saiu, sem se envergonhar, com o seguinte comentario: “o Papa Francisco pode estar sendo manipulado pelo Presidente russo, Putin, segundo se comenta”. O cara pálida não explicitou quem comenta. Alguém tem dúvidas que o exposto pelo repórter é ou não digno de um Febeapá? Preferível nem citar o nome do referido, pois ele  apenas provavelmente seguiu recomendação da editoria da emissora. Ainda na área internacional, o portal UOL “informou” (entre aspas mesmo) que na Venezuela o governo justificava a falta de pastas de dentes por lá pelo fato de os venezuelanos escovarem e os dentes demasiadamente a cada dia. Poucas horas depois veio a informação (desta vez sem aspas) segundo a qual a UOL baseou o divulgado por um site humorístico venezuelano, Ou seja, o humor acabou virando uma notícia séria. Pegos em flagrante (delito) pelo tamanho do Febeapá, algum tempo depois a UOL teve de admitir o erro, mas o fez de uma forma desproporcional, ou seja, sem o mesmo destaque da “informação” primeira. Por enquanto são citados dois fatos, mas se fosse feita uma pesquisa mais aprofundada, pelo menos desde o início deste ano de 2016, é bem possível que se encontrariam outras menções dignas do Febeapá. Nesse sentido, sugere-se desde já, a instituição desta nova série criada pelo genial Stanislau Ponte Preta, que daria e proporcionaria grandes risadas pelo besteirol reinante na mídia conservadora. E isso se dá pelo afã dos editores em seguir orientações de agrado do patronato midiático, que a cada dia se consolida como partido político defensor dos valores mais conservadores do espectro político. E tudo isso com o respaldo da  SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), a entidade que reúne o patronato conservador das Américas. Esta, toda vez que se contesta a manipulação da informação da mídia conservadora, ataca com o argumento de que se atenta contra a liberdade de imprensa. Por estas e muitas outras, com a vênia do criador Stanislau Ponte Preta, sugere-se a criação imediata de um Febepá voltado para as mancadas que beiram o ridículo, protagonizadas pelos jornalões, impressos e na web, e telejornalões. Para que o concurso se torne mais dinâmico fica ainda a sugestão no sentido de este site recolher informações dos leitores que sirvam de exemplo para concorrer. Atenção, editor Rui Martins, que tal a ideia? No mais, segue diariamente nos jornais e telejornais a fúria conservadora contra o ex-presidente Lula da Silva e agora com a prisão do casal Santana, marqueteiro do ex e atual presidente da República, e que também fez o mesmo para vários políticos pelo mundo. A Polícia Federal e o juiz inquisidor Sérgio Moro aproveitaram o gancho de eventuais irregularidades cometidas pelo marqueteiro João Santana e sua companheira Monica, ou seja, de não declarar contas no exterior, para associar o fato às campanhas eleitorais aqui no Brasil. Marqueteiros de um modo geral ganham dinheiro em qualquer parte do mundo, no caso trabalhando para candidatos de qualquer linha ideológica. Mas Moro e os agentes da PF, que muitas vezes ficam loucos para disputar o espaço de dois minutos de fama, como o tal “japonês” de óculos escuros, não querem nem saber. Monica prestou depoimento de quatro horas à Polícia Federal e,  segundo sua defesa, desarmou as acusações contra o casal. O que se estranha nesta história toda é saber por qual motivo desta vez não foi apresentado o vídeo, ou pelo menos parte, do depoimento. E segundo informação corrente, o que ela disse em quatro horas aparece agora em quatro folhas de papel ofício. Muito diferente do que ocorre quando se torna público o depoimento dos delatores premiados acusando alguém. Uma pergunta que não quer calar: que outros brasileiros foram presos por não declararem contas no exterior? Não seria o caso de o casal de marqueteiros pagar multa aos cofres públicos em função da ilegalidade? Mas a PF e o juiz inquisidor Sérgio Moro preferem se valer de outro expediente, claro, com a valiosa colaboração da mídia conservadora. E, para finalizar, uma outra pergunta que não quer calar: que fim levaram as acusações da jornalista, ex-Rede Globo, Miriam Dutra contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? Não seria o caso de uma investigação mais aprofundada sobre o que foi dito pela jornalista sobre remessa, por parte de FHC, para ela de   milhares de dólares, via empresa Brasif, na época da remessa, de propriedade da família Bornhausen? Quem leu o livro “Número Zero”, de Umberto Eco possivelmente vai entender melhor como funciona, em várias partes do mundo, o esquema da manipulação da informação. Aí não vai ter SIP ou entidades do gênero para afirmar que saudoso Eco atentou contra a liberdade de imprensa.
Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro. Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.
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