Militantes de partidos de esquerda e religiosos lançaram, nesta quarta-feira, um abaixo-assinado a ser entregue ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, intitulado "Abaixo-assinado pela Vida", no qual se solidarizam com o bispo diocesano de Barra, na Bahia, D. Luiz Flávio Cappio, em greve de fome há 10 dias contra o projeto de transposição do Rio São Francisco. Segundo os manifestantes, o religioso franciscano seria a favor de um projeto de revitalização do rio.
Leia a íntegra do abaixo-assinado
"Exmo Sr. Presidente Luiz Ignacio Lula da Silva
Abaixo-assinado pela Vida
"Nós, abaixo-assinados, vimos por meio deste expressar nossa adesão à luta de nosso irmão, Bispo D. Luiz Flávio Cappio, da Diocese da Barra (Bahia), que se encontra em greve de fome contra o Projeto de Transposição do Rio São Francisco e a favor do Projeto de Revitalização.
"Pela vida do Rio São Francisco e de nosso irmão, o Bispo Dom Luiz Flávio, queremos do Exmo. Sr. Presidente da República, Sr. Luiz Ignácio Lula da Silva, a revogação e arquivamento da Transposição, condição única que Dom Luiz colocou para a suspensão de sua greve de fome.
"Para assinar, visite o seguinte endereço eletrônico, na internet:
http://www.petitiononline.com/domluiz/petition.html"
Secretário-geral discorda
Para o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Odilo Pedro Scherer, que exerce forte influência junto à cúpula da Igreja Católica brasileira, o manifesto de D. Cappio seria válido, mas a greve de fome "até morrer" não é "moralmente" aceitável. Ele afirmou, nesta quarta-feira, que acredita na possibilidade do diálogo entre o governo e o bispo de Barra. Ainda segundo D. Scherer, a conferência deixa claro, sem qualquer crítica a D. Cappio, o seu posicionamento em favor da vida e contra formas de interrupção como o suicídio e a eutanásia.
Para D. Scherer, D. Cappio coloca o governo em uma posição difícil com a greve de fome, mas acredita que "o diálogo é a via desejável para se chegar a uma solução aceitável para o governo e para a questão do Rio São Francisco".
- Eu desejo que ele não morra e também viva o Rio São Francisco, para dar vida a muita gente. A greve de fome até morrer, moralmente, não é aceitável. Meu desejo seria que se chegasse a uma solução dialogada. No projeto da transposição, existe uma multiplicidade de aspectos que precisam ser devidamente levados em conta: ambiental, técnica, econômica, política, humanitária. O certo é que o governo se viu, de repente, diante de um problema inesperado. Talvez percebeu melhor alguns aspectos delicados do projeto de transposição do Rio São Francisco: aspectos não suficientemente percebidos, ou não suficientemente trabalhados até agora - enfatizou o religioso.