Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Manifesto em Defesa da Convivência Internacional Pacífica

Por Emir Sader - Em uma reunião realizada no último sábado, o Instituto de Cultura Árabe aprovou um documento intitulado "Manifesto em Defesa da Convivência Internacional Pacífica e dos Direitos Sociais Humanos", que se posiciona diante dos recentes acontecimentos no Oriente Médio. O texto defende que o governo brasileiro defenda o fim imediato dos ataques do exército israelense contra o Líbano e a instauração de negociações diplomáticas para a solução dos conflitos na região. (Leia Mais)

Segunda, 24 de Julho de 2006 às 08:39, por: CdB

Em uma reunião realizada no último sábado, o Instituto de Cultura Árabe aprovou um documento intitulado "Manifesto em Defesa da Convivência Internacional Pacífica e dos Direitos Sociais Humanos", que se posiciona diante dos recentes acontecimentos no Oriente Médio. O texto defende que o governo brasileiro defenda o fim imediato dos ataques do exército israelense contra o Líbano e a instauração de negociações diplomáticas para a solução dos conflitos na região. O documento é endereçado ao presidente da República, ao ministro das Relações Exteriores, aos embaixadores dos países com representação diplomática no Brasil e aos candidatos à presidência da República nas eleições de 2006. Veja a íntegra do manifesto:

Em relação aos recentes acontecimentos no Oriente Médio, consideramos essencial que o governo brasileiro, representante de um Estado considerado democrático e de direito, registre, publica e imediatamente, os seguintes pontos e diretrizes de ação política:

1. Cessação imediata dos ataques do exército israelense ao Líbano, que constituem violação inaceitável da soberania e integridade do povo libanês e que já mataram e continuam ameaçando a vida de cidadãos brasileiros no território libanês;

2. Instauração imediata de negociações diplomáticas para solução de eventuais conflitos;

3. Que o governo de Israel e seus aliados respeitem as regras básicas da convivência internacional pacífica e as normas e leis internacionais vigentes, em particular o cumprimento das resoluções da ONU acerca das relações e divisões territoriais entre Israel e os estados árabes no Oriente Médio;

4. Reconhecimento por parte do governo de Israel da soberania da Autoridade Palestina, democraticamente eleita pelos palestinos, incluindo a retirada dos territórios ocupados e o repasse imediato da totalidade de impostos e transferências financeiras e orçamentárias devidas à Autoridade Palestina;

5. Ação efetiva e duradoura do governo brasileiro para que todos os atores comerciais, financeiros e políticos internacionais respeitem (garantam) e promovam, em particular no Oriente Médio, o exercício de direitos sociais inalienáveis como Liberdade de Expressão e Organização, Saúde, Higiene, Educação, Habitação e Condições Dignas de Vida e Trabalho;

6. Propor, através de seus representantes na ONU, resolução plenária da entidade cujo conteúdo reflita os pontos (1) a (5) indicados acima;

7. Subordinar a participação brasileira em eventuais acordos comerciais à promoção do cumprimento dos pontos (1) a (5) acima.

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