Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Manifesto da esperança na resistência

Sexta, 22 de Julho de 2011 às 14:52, por: CdB

XI CURSO DE VERÃO NA TERRA DO SOL

No período de 10 a 18 de julho de 2011, o Mutirão do Curso de Verão na Terra do Sol (emFortaleza, Ceará) trabalhou, coletivamente, a temática "Espiritualidade em Defesa da Vida: Ecologia e Emancipação Humana”.Esta jornada de nove dias de reflexão bíblica-teológica e de educação políticapopular, onde vivenciamos fé e vida, contou com 122 participantes, reunindocursistas, monitores, assessores e equipes de trabalho, provenientes de muitaslocalidades do Nordeste e de outras regiões do país: Ceará, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte,Piauí, Amazonas, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina.

Neste ano, tivemos, comofundamento e inspiração bíblica, o Apocalipse, livro profético de denúnciaradical que funda e alimenta a resistência face à lógica dominante. Em nossalinguagem nordestina, é o livro da "teimosiada esperança do mandacarú” que proclama a Vitória, em um Cântico deAleluia.

O Apocalipse encarna oconfronto de duas lógicas: a lógicadominante do Império que, na sua beleza e sedução, esconde o Dragão e aBesta-Fera que querem submeter o povo, trazendo extermínio e morte; a lógica da emancipação que se revela naconstrução de uma nova sociedade de igualdade, de justiça e de liberdade,fundada na vitória do Cordeiro. Assim, o Apocalipse interpela a opção de cadaum/ de cada uma: seguir a lógica da Besta, deixando-se iludir e seduzir peloprojeto da morte (os "abestados”); seguir a lógica doCordeiro, abrindo-se para correr todos os riscos, inclusive o de perder a vida,no confronto com o Império, na convicção da vitória da vida plena (os "degolados”).

Inspirados nas luzes doApocalipse, refletimos sobre este confrontofundamental da morte e da vida no mundo que vivemos, no interior da civilização do capital, em vigor nosúltimos quatro/cinco séculos. Esta civilização, regida pela acumulação, encarnao Dragão do Apocalipse, a seduzir o povo, no tempo presente, através da mercantilização, do consumismo e doindividualismo, gerando uma sociedade profundamente excludente. Em suascontradições e paradoxos, esta civilização dominante destrói a Vida no Planeta,nos

processos sem limites de expansãodo capital, violentando a Natureza e os Homens e Mulheres. Assim, hoje,mergulhamos em uma crise estruturaldeste padrão de civilização que revela a sua insustentabilidade. Naverdade, é uma crise ético-política quetoca o cerne do sentido da vida humana.

Esta crise revela-se comclareza no campo da Ecologia,mostrando-se nos efeitos perversos de destruição que atingem o meio-ambiente ebilhões de seres humanos, difundindo a lógica do extermínio e da morte!.

No contexto da criseestrutural da civilização do capital, impõe-se, como desafio do nosso tempo histórico, a construção de uma outra formade organizar a Vida no Planeta, apontando para a Emancipação Humana, no sentido de romper com esta lógica ilimitadae destrutiva do capital, a gerar incertezas, instabilidades e riscos globais.Esta lógica a ser confrontada e rompida, está concretamente materializada navisão de desenvolvimento que prioriza o crescimento econômico permanente adesconsiderar a natureza e as necessidades humanas. É preciso construir ummodelo de civilização fundado na sustentabilidade da vida!

Neste nosso Mutirão do Cursode Verão, assumimos a Emancipação Humana como Horizonte e como Processo. Isso significa incorporar a Emancipação como sentido de Vida e de Luta, na construção de umasociedade para além do capital e de todas as formas de opressão, priorizando o Bem-Viverde homens e mulheres e articulando Justiça Ecológica e Justiça Social. Exige construir de forma persistente, na vida decada dia, a Emancipação através da ação coletiva de grupos, comunidades emovimento sociais, rejeitando as ilusões e seduções do sistema do capital eseus tentáculos que hoje quer tudo absorver. É concretamente a criação de umarede de resistências na defesa da vida.

Na criação destes espaços devida, focalizamos este ano as Lutas Ecológicas na perspectiva de umaEcologia integral, dentro de uma visão holística que reúne homens, mulheres enatureza em uma totalidade, enfrentando experessões de extermínio que estãopresentes nas diferentes localidades do Nordeste e nas distintas regiões destepaís, bem configuradas na sondagem e nos depoimentos dos cursistas.

Impõe-se O QUE FAZER para enfrentar esta lógica de morte e afirmar a vidaplena. Na reflexão coletiva coletiva dos cursistas foram apontados CAMINHOS:

·Conhecer a realidade quevivemos, buscando fontes de informação que "lancem luzes em campos de sombra”.Neste sentido, destaca-se a exigência de formação de Grupos de Estudo erealização de seminários;
·Profetizar e denunciarrompendo o silêncio imposto e fazendo ouvir nossa voz;
·Trabalhar para que nossasIgrejas em suas práticas pastorais, sejam coerentes na defesa, no cuidado ànatureza e ao Bem-Viver de homens, mulheres e natureza;
·Articular lutas eexperiências, criando teias em redes de combate à crise ecológica que trabalhemna mesma direção emancipatória;
·Investir em processos deeducação de crianças e jovens na formação de uma consciência crítica das novasgerações;
·Participar na formulação,execução e controle das políticas públicas no apoio aos interesses dascomunidades, atuando nos conselhos e em outros instrumentos participativos;
·Trabalhar de diferentes formaspara a permanência dos homens e mulheres no campo, em condições dignas de vidae de trabalho;
·Fortalecer as lutas dosMovimentos Sociais para frear e impedir a destruição da Natureza,particularmente em relação à depredação das mineradoras e expansão doagronegócio;
·Usar amplamente os Meios de ComunicaçãoAlternativos, como sites, blogs e rádios comunitárias para fortalecer as lutasemancipatórias;
·Resgatar valores, costumes epráticas das comunidades tradicionais que apontam para outro modo de organizara vida.

Sigamos para o mundo com o coração aquecido pelo Sol donosso Mutirão do CURSO DE VERÃO!!!

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