Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Manifesto contra política de confronto é assinado no Rio

Terça, 06 de Novembro de 2007 às 19:43, por: CdB

Pelo menos 300 pessoas assinaram um manifesto de repúdio à política de confronto da Secretaria de Segurança Pública, na noite desta terça-feira, na Fundição Progresso, na Lapa, Centro do Rio. Os integrantes do movimento, liderado pelo músico Marcelo Yuka, não pouparam também críticas às declarações do governador Sérgio Cabral. Eles vão pedir uma audiência para entregar o documento ao governador.

Além de juízes, desembargadores e parlamentares, também assinaram o documento artistas como Gabriel o Pensador, Lobão, Beth Carvalho, B Negão e Letícia Sabatella. Yuka ficou paraplégico ao ser atingido por tiros, quando tentava salvar uma vítima de assalto na Tijuca, na Zona Norte.

Para a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Margarida Pressburger, que também aderiu ao movimento, “ninguém pode aceitar que a polícia saía por aí fazendo caçadas humanas de helicóptero”. Ela fez referência à perseguição da polícia a dois supostos traficantes na Favela da Coréia, em Senador Câmara, na Zona Oeste.

Margarida também citou como ação violenta da polícia a operação no conjunto de favelas do Alemão, que deixou 19 mortos. De acordo com relatório de análise dos laudos periciais da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República houve execuções sumárias.

Segundo a representante da OAB, o abaixo-assinado será entregue ao relator da ONU para assuntos de execuções sumárias, Philip Alston, que chega ao Rio esta semana para elaborar um documento sobre o aumento do número de autos de resistência (mortes em confronto com a polícia) e, principalmente, investigar a operação no Alemão. Ele vai ouvir parentes, a polícia e testemunhas.

Tags:
Edições digital e impressa