Manifestantes tomam as ruas do Egito e Mubarak luta para ficar no poder
Milhares de manifestantes egípcios voltaram a se reunir, na manhã deste domingo, na Praça Tahrir, na região central da capital egípcia, Cairo, a fim de exigir que o presidente Hosni Mubarak renuncie ao cargo.
Milhares de manifestantes egípcios voltaram a se reunir, na manhã deste domingo, na Praça Tahrir, na região central da capital egípcia, Cairo, a fim de exigir que o presidente Hosni Mubarak renuncie ao cargo. Os choques entre manifestantes e forças de segurança já teriam deixado cerca de 100 mortos e em torno de dois mil feridos, em seis dias de protestos.
Os manifestantes retornaram à praça – principal centro de protestos na cidade – logo após o fim do toque de recolher, às 8 horas (4 horas pelo horário de Brasília). Apesar da presença de soldados do exército, tanques e veículos blindados nas proximidades da praça, até as 11h nenhum confronto foi registrado. Não havia policiais no local.
Grupos de vigilantes foram formados nos bairros, já que a polícia não é mais vista nas ruas. Os vigilantes se armaram com bastões e algumas armas, além de montar barricadas durante a noite para se proteger de saqueadores. As barricadas, contudo, também começaram a ser desmontadas na manhã de domingo.
Apesar da vigilância voluntária, ocorreram saques em várias partes da cidade, incluindo no Museu Nacional. Há menos pessoas nas ruas do que de costume e muitas lojas, bancos e empresas não abriram as portas, embora o domingo, no Egito, seja o primeiro dia útil da semana.
Brasileiros que estão no Egito relataram, por telefone, os momentos de tensão e de medo que viveram durante os último dias. A turista Fátima Saraiva chegou à capital com mais 21 brasileiros no último dia 14. Ainda sem saber da série de protestos e dos riscos, o grupo se hospedou em um hotel próximo à região central.
– Passamos a ficar apreensivos com os acontecimentos quando começaram a queimar veículos, prédios e postos de polícia. Muitos de nós ficamos com medo depois de receber a notícia de que voos tinham sido cancelados. Alguns chegaram a chorar, achando que não conseguiriam mais sair do país – disse Fátima.
Já Larissa Amorim, que mora nos arredores da capital, contou que a série de saques espalhou o medo entre os moradores da capital.
– Meu marido foi à rua juntamente de outros homens do bairro com facas e bastões para proteger as propriedades. Estamos muito nervosos, mas os moradores falaram que, por enquanto, não havia sinais de distúrbios na área – contou ela, que é casada com um egípcio e mora no país desde 2007.
Reunião às pressas
Na manhã deste domingo, Mubarak foi ao encontro dos militares de alto escalão em uma tentativa de se manter no poder diante de protestos sem precedentes por sua saída. Mubarak se encontrou com o vice-presidente, Omar Suleiman, cuja nomeação no sábado pode ter aberto caminho para uma sucessão. Ele também se reuniu com o ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, com o chefe de gabinete Sami al-Anan, e com outros altos comandantes.
Enquanto isso, os egípcios convivem com uma situação de ausência quase total de leis nas ruas, com forças de segurança e pessoas comuns tentando coibir saques após dias de protestos populares pelo fim do governo autoritário de Mubarak, que já dura 30 anos.
Pela manhã, as ruas da capital estavam quase desertas, com o Exército guardando o Ministério do Interior. Os cidadãos estão colocando sua confiança nos militares, na esperança de que eles possam restaurar a ordem, mas sem usar seu poder de fogo para manter Mubarak, que tem 82 anos e é aliado dos Estados Unidos, como presidente.
"Hosni Mubarak, Omar Suleiman, vocês dois são agentes dos norte-americanos," gritavam os manifestantes, referindo-se à nomeação do chefe da inteligência, Suleiman, como vice-presidente. Foi a primeira vez que Mubarak escolheu um vice em 30 anos no cargo.
Esse foi o cargo que Mubarak ocupou antes de se tornar presidente e tal escolha pode ser a indicação de uma transição no poder. Muitos viram a nomeação como o fim das pretensões do filho do presidente, Gamal, de assumir a Presidência.
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