Conflitos entre civis e grupos leais aos governos também continuam na Líbia e Iêmen
09/06/2011
Da Redação
Permanecem os conflitos entre civis e grupos leais aos governos nos países árabes. Na Síria, manifestações pela derrubada da ditadura do presidente Bashar al-Assad, há 11 anos no poder, estão marcadas para acontecer nesta sexta-feira (10), por todo o país. A jornada de manifestações, chamada de “sexta-feira das tribos”, é mais uma tentativa de pressionar o presidente a deixar o governo.
Segundo uma balanço da TV estatal da Síria 120 policiais e agentes de segurança foram mortos em uma emboscada de "grupos armados" em Jisr al-Shughour, uma área onde as forças de segurança realizaram violentas operações contra manifestações de oposicionistas. Das vítimas, 82 foram mortas em um ataque dos rebeldes a um posto de segurança. As demais teriam sido mortas em tiroteios em outras partes da cidade.
A expulsão de jornalistas estrangeiros e o controle da mídia local tem prejudicado a confirmação de informações, mas há relatos de que escolas, mesquitas e igrejas abrigam moradores da cidade. Centenas de sírios da região tentam chegar até a Turquia, que mantém a fronteira aberta para receber refugiados.
Estima-se que os confrontos com os sírios, que exigem reformas democráticas e melhores condições de vida, já deixaram 1.300 mortos.
Presidente do Iêmen continua na Arabia Saudita
O ditador Ali Abdullah Saleh permanece internado em um hospital das Forças Armadas, na Arabia Saudita. Saleh teve que ser submetido a uma operação para reparar os danos sofridos no atentado da última sexta-feira (3). Segundo fontes do governo, o ditador sofreu lesões e queimaduras, além de ter sido atingidos por estilhaços na altura do coração e na cabeça. Depois de operado no domingo (5), Saleh deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um hospital na cidade de Riad, na última quinta-feira (8).
Saleh, com 69 anos, está há 33 no governo do Iêmen. Além dele, o primeiro-ministro Ali Mohammed Mujawar e o líder do Parlamento, Yahya al-Raie, outras autoridades ficaram feridas no atentado a mesquita do palácio presidencial, em Sanaa, na capital. O bombardeio matou 11 pessoas, incluindo agentes de segurança do ditador e foi atribuído pelo governo à tribo dos Hached, chefiada pelo xeque Sadek al-Ahmar.
A saída do presidente do país foi comemorada por milhares de iemenitas anti regime. No entanto, fontes oficiais do governo dizem que Saleh deve voltar ao Iêmen em breve. Os protestos ocorrem no país desde o final de janeiro e estima-se que pelo menos 370 pessoas já morreram. A maioria dos manifestantes que pedem reformas políticas são os jovens. No país, mais pobre da península Arábica, a média de idade é de 17 anos.
Kadafi diz que prefere ser mártir a se render
Na quarta-feira (8), as tropas leais ao ditador atacaram a cidade de Misrata, zona de constantes conflitos no oeste do país, impedindo um avanço territorial dos revoltosos. De acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentadas no dia primeiro, há fortes evidências de que o governo de Muamar Kadafi, cometeu crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Na Líbia, as estimativas de mortes em razão da guerra civil são entre dez mil e 15 mil.
Em pronunciamento à TV estatal líbia na terça-feira (7), o ditador Muamar Kadafi, há 42 anos no comando do país, disse que permanece na capital Trípoli "vivo ou morto". Disse ainda que prefere morrer como a mártir a se render.
Para a secretária de estado dos Estados Unidos (EUA), Hillary Clinton, Kadafi está com os dias contatos. Em reunião para discutir o futuro da Líbia, com países ocidentais e árabes na quinta-feira (8), Hillary afirmou que os EUA estão trabalhando na ONU para preparar o inevitável: a era posterior a Kadafi.
Os interesses das potências ocidentais na Líbia são enormes, assim como na Síria, e em menor proporção no Iemên. Na Líbia, a incursão militar da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), justificada como apoio aos rebeldes, pode alcançar uma grande magnitude no Oriente Médio e Ásia Central, segundo especialistas internacionais. A nação líbia é a maior economia petroleira no continente africano, seguido da Nigéria e Argélia. Suas reservas de petróleo chegam a ser 10 vezes maior que a do Egito, com 46 milhões de barris de petróleo. A soma da Líbia equivale a 3,5% das reservas mundiais, dez vezes mais do que possui os Estados Unidos.