Membros de entidades, associações e movimentos de direitos humanos de são Paulo realizam na noite desta terça-feira uma manifestação na praça da República (região central de SP) contra o o racismo, o preconceito e a intolerância.
Segundo os organizadores, o objetivo da manifestação é denunciar as ações de grupos que pregam a superioridade racial e discriminam negros, nordestinos, homossexuais, judeus, punks e outras minorias.
Durante o protesto será realizada a leitura de um manifesto que menciona os nomes de vítimas que sofreram violência por parte de skinheads em São Paulo. O manifesto também cobra das autoridades o aprofundamento das investigações sobre as atividades de grupos como Carecas do ABC, Carecas do Subúrbio, Poder Branco e Imperial Klans do Brasil, entre outros.
O manifesto é assinado por entidades, associações, movimentos e sindicatos.
Violência
A manifestação acontece no mesmo local onde, na madrugada de 6 de fevereiro de 2000, o adestrador de cães Edson Neris da Silva e Dário Pereira Neto foram atacados por um grupo de skinheads. O motivo do ataque seria o fato de as vítimas terem sido vistas de mãos dadas.
Neto conseguiu fugir. Silva acabou morrendo em razão dos ferimentos ocasionados pelo espancamento que sofreu.
Minutos depois do crime, a polícia prendeu 18 acusados em um bar próximo ao local do espancamento. Um deles, em depoimento, admitiu que eles integravam o grupo Carecas do ABC, conhecidos por pregar contra minorias.
Em dezembro do ano passado, o último dos nove suspeitos de matar o adestrador foi condenado. Sete do grupo foram condenados a penas de até 21 anos e dois, absolvidos. Os outros foram acusados de formação de quadrilha.
No final do ano passado, dois jovens foram obrigados por dois skinheads a pular de um trem em movimento em Mogi das Cruzes, Grande São Paulo.
As vítimas caíram em um espaço de cerca de 30 centímetros entre a composição e a plataforma da estação Brás Cubas. O trem passou sobre o braço direito de Flávio Augusto do Nascimento, 16, que teve o membro amputado. O amigo de Nascimento, Cleiton da Silva Leite, 20, morreu em decorrência do traumatismo craniano grave.
Manifestantes se reúnem contra o preconceito e intolerância em SP
Terça, 13 de Janeiro de 2004 às 17:57, por: CdB