- Ninguém é ingênuo de cair na mão do Estado. Sabemos com quem estamos lidando - disse Vanessa dos Santos, do Comitê Popular da Copa de São Paulo, referindo-se à postura das polícias de usar a força contra manifestantes.
Para Lucas Monteiro, militante do MPL (Movimento Passe Livre), a falta de uma agenda de reivindicações explica melhor o esvaziamento das manifestações durante a Copa.
- No ano passado havia uma pauta clara e objetiva (a redução nas tarifas do transporte público). (Na Copa) não havia um pauta unificadora.
Articulação
Passada a Copa, muitos dos movimentos que surgiram ou ganharam força ao criticar e protestar contra a realização do Mundial agora se concentram em pressionar as autoridades pela libertação de colegas ativistas presos.
Eles se articulam também para levar suas bandeiras para a discussão política que começa a tomar vulto com a aproximação das eleições no Brasil.
Esse é o caso do movimento Território Livre, que participou da manifestação na abertura da Copa em São Paulo e agora planeja novas ações para protestar contra a prisão de dois ativistas e também organizar protestos durante o período eleitoral.
- As pessoas ficaram enfeitiçadas durante a Copa, mas nós continuamos fazendo pressão. Acreditamos que com a derrota do Brasil nossas reivindicações estão sendo incorporadas pela população - disse Rafael Padial, membro do Território Livre.
O Comitê Popular da Copa, que atuou como espaço de articulação e também organizando protestos, diz ter agenda oficial de ações ao menos até dezembro de 2014. "Os jogos acabaram mas a Copa não acabou, muita coisa vai ficar. Temos que discutir o modelo de cidade, os gastos com segurança, com armamentos (não letais). Os municípios se endividaram e essa conta fica", disse Santos.
Segundo Milton Lahuerta, professor de teoria política e coordenador do laboratório de política e governo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o espetáculo da Copa acabou "suplantando" os protestos durante o Mundial, mas com a chegada das eleições a tendência é que eles voltem a crescer.
- Mas acredito que não teremos protestos grandiosos como os do ano passado. Serão grupos específicos protestando em suas áreas, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
Ele disse ainda que deve haver uma tendência de que as autoridades continuem usando ações robustas da polícia para lidar com protestos violentos pelo menos até o fim do pleito - quando uma nova política de segurança pode ser adotada pelos governos eleitos.
Mas até lá, segundo ele, a polarização já presente nos protestos que ocorreram até agora pode dar origem também até a brigas entre militantes de partidos na corrida pela Presidência. Além disso, os diversos movimentos sociais podem protestar de acordo com seu alinhamento a partidos políticos específicos.
Para o professor Romano ainda é cedo para dizer se os movimentos sociais que surgiram ou se fortaleceram no âmbito da Copa do Mundo tiveram sucesso ou não. Ele disse que os grupos demonstraram ter uma "vitalidade embrionária" e mostraram as deficiências dos partidos políticos atuais, incapazes de representar certos setores da sociedade.
Porém a continuidade desses movimentos dependerá da política de segurança dos governos - que até agora têm mantido a estratégia de adotar ações de força contra protestos violentos.
Manifestantes querem mobilização nas eleições
Parte dos movimentos sociais que nos últimos meses vêm organizando protestos de rua, disseram que pretendem dar continuidade às manifestações e devem direcionar sua atenção para as eleições no final do ano. Especialistas ouvidos pela agência britânica de notícias BBC acreditam que o fracasso de grupos de manifestantes em organizar protestos de larga escala durante a Copa do Mundo.
Quarta, 16 de Julho de 2014 às 06:43, por: CdB
- Ninguém é ingênuo de cair na mão do Estado. Sabemos com quem estamos lidando - disse Vanessa dos Santos, do Comitê Popular da Copa de São Paulo, referindo-se à postura das polícias de usar a força contra manifestantes.
Para Lucas Monteiro, militante do MPL (Movimento Passe Livre), a falta de uma agenda de reivindicações explica melhor o esvaziamento das manifestações durante a Copa.
- No ano passado havia uma pauta clara e objetiva (a redução nas tarifas do transporte público). (Na Copa) não havia um pauta unificadora.
Articulação
Passada a Copa, muitos dos movimentos que surgiram ou ganharam força ao criticar e protestar contra a realização do Mundial agora se concentram em pressionar as autoridades pela libertação de colegas ativistas presos.
Eles se articulam também para levar suas bandeiras para a discussão política que começa a tomar vulto com a aproximação das eleições no Brasil.
Esse é o caso do movimento Território Livre, que participou da manifestação na abertura da Copa em São Paulo e agora planeja novas ações para protestar contra a prisão de dois ativistas e também organizar protestos durante o período eleitoral.
- As pessoas ficaram enfeitiçadas durante a Copa, mas nós continuamos fazendo pressão. Acreditamos que com a derrota do Brasil nossas reivindicações estão sendo incorporadas pela população - disse Rafael Padial, membro do Território Livre.
O Comitê Popular da Copa, que atuou como espaço de articulação e também organizando protestos, diz ter agenda oficial de ações ao menos até dezembro de 2014. "Os jogos acabaram mas a Copa não acabou, muita coisa vai ficar. Temos que discutir o modelo de cidade, os gastos com segurança, com armamentos (não letais). Os municípios se endividaram e essa conta fica", disse Santos.
Segundo Milton Lahuerta, professor de teoria política e coordenador do laboratório de política e governo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o espetáculo da Copa acabou "suplantando" os protestos durante o Mundial, mas com a chegada das eleições a tendência é que eles voltem a crescer.
- Mas acredito que não teremos protestos grandiosos como os do ano passado. Serão grupos específicos protestando em suas áreas, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
Ele disse ainda que deve haver uma tendência de que as autoridades continuem usando ações robustas da polícia para lidar com protestos violentos pelo menos até o fim do pleito - quando uma nova política de segurança pode ser adotada pelos governos eleitos.
Mas até lá, segundo ele, a polarização já presente nos protestos que ocorreram até agora pode dar origem também até a brigas entre militantes de partidos na corrida pela Presidência. Além disso, os diversos movimentos sociais podem protestar de acordo com seu alinhamento a partidos políticos específicos.
Para o professor Romano ainda é cedo para dizer se os movimentos sociais que surgiram ou se fortaleceram no âmbito da Copa do Mundo tiveram sucesso ou não. Ele disse que os grupos demonstraram ter uma "vitalidade embrionária" e mostraram as deficiências dos partidos políticos atuais, incapazes de representar certos setores da sociedade.
Porém a continuidade desses movimentos dependerá da política de segurança dos governos - que até agora têm mantido a estratégia de adotar ações de força contra protestos violentos.